Lavar roupa nos rios da Amazônia.

Você já lavou roupa? é uma atividade tão trivial que talvez você nem precise pensar muito, a não ser, o momento que executará a corriqueira tarefa. No entanto esta, executada nas margens do Rio Branco, se transformar em um verdadeiro espetáculo. Me torno uma parte do espetáculo que decorre a minha volta. Na Amazônia é preciso reaprender a lavar roupa, às margens de um rio.

Aprendo o básico: encho o balde com água, adiciono o sabão, aguardo um tempo. Enquanto espero, contemplo, rezo, aprendo. Vejo às crianças, que sem medo dão saltos ornamentais, mergulham sem nenhuma preocupação e, eu que não sei nadar, fico aflito. Cadê o curumim? Onde ele está? Morreu afogado? Foi devorado pelo jacaré? Que nada, ele surge com um sorriso, erguendo um peixe que pegou com as mãos. Um banal troféu para um jovem ribeirinho, que nasceu às margens do rio.

Retomo minha tarefa, esfrego e tiro o sabão, enxáguo mais uma vez. Enquanto jogo o balde para pegar mais água, um boto emerge. Um susto! Fixo meu olhar na água que se movimenta, dedurando que foi ali, que ele deu o ar da graça. E lá vem ele, já não sei se são um ou dois. Enxáguo a roupa mais uma vez, começo a torcer e tirar o excesso de sabão. Subo para a parte de cima do barco, estendo a roupa, meia dúzia de peças, pois aqui, o menos é mais. Um peregrino da vida precisa ter pouca coisa. É fim de tarde, o sol já começa a se por. Enquanto estendo as roupas no varal improvisado, vou contemplando o romance do sol que beija o rio. Uma aquarela surge diante de mim. O rio como um espelho reflete as cores do entardecer, uma mistura de infinitas cores que emociona um coração cheio de saudade.

Sento em um banco, agora é esperar a roupa secar. Não esqueço, esperar no ritmo das águas. Cevo o chimarrão, e permito que a sinfonia da natureza conduza os meus pensamentos: pássaros, sapos, grilos, e uma infinidade de sons que não sei distinguir o que são. Sei apenas, que vem da natureza que me cerca. Em nossa vida tudo pode parecer trivial, mas c que se perpetuará em nossa memória. Jamais lavarei roupa sem me lembrar desse dia…

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