Cecília

Cecília me deixou. Deixou as montanhas e voltou pro mar. Retirante reversa, trouxe fotos, turbantes e purpurina colorida para nossas vidas. Misturou-se com a gente, dizia uai da maneira mais arretada que uma pernambucana pode.

Cecília não tem amarras e na sua casa nada é guardado em caixas. Pendura-se tudo: em quadros, em redes. Tudo na parede para ser comtemplado e visto. Cecília vive assim: com tudo que ama em volta. Se deixa inspirar pelo que for, não importa. Faz amigos enquanto faz xixi na rua e os coleciona para um dia fazer uma grande festa de aniversário e ser transbordada de prazer em recebê-los.

Cecília é gratuita. Quem quiser leva pra si um pedaço dela. É facinha e ainda assim, todo mundo quer. "Se pudesse, carregaria ela no bolso." É isso o que todo mundo que a conhece pensa. Vontade a gente tem!

Cecília nasceu no nordeste para aproveitar-se do sotaque mais lindo do Brasil. Em sua fala estalada, poucos minutos passam e — de repente! — somos todos recifenses. É pequenina para que fique muito claro pros que lhe observam que tudo nela se concentra: ainda mais amor.

Cecília nasceu apaixonada. Renasce algumas vezes a cada ano, sempre que se entrega ao seu coração. Coração grande esse: espanto caber dentro do seu corpo!

Cecília não se importa, sente. Cecília veio, foi embora, mas promete voltar. Porém, aqui nas Minas Gerais todos sabem: Cecília ficou.

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