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31 de dezembro de 2018. Faltam poucas horas para que um novo ano se inicie e o que toma conta de mim é uma mistura de esperança e medo. Meu lado mais realista e mais cético me diz que estamos prestes à entrar em dias difíceis, onde a onda lamentável do conservadorismo que vem ganhando força se verá formalmente legitimada. E isso me dá medo, bastante medo, mas para que seja possível entender porque me sinto assim é importante falarmos um pouco sobre o pensamento conservador: ele é uma das formas mais reacionárias e hipócritas de covardia. É o fechar-se ao novo, às mudanças e à evolução da essência humana como um todo em prol de manter-se em uma zona de conforto limitada, retrógrada e egoísta, muito egoísta. O conservador é aquele que não olha para além do próprio umbigo, não tem consciência de classe e nem qualquer tipo de dimensão social como um todo. Sofre da “síndrome de Gabriela” (aquela do nasci assim e cresci assim) e por isso pauta toda noção de “certo” e “errado” na premissa de que todas as realidades são iguais à sua. E pra completar ainda tem todo um embasamento religioso que, conforme já disse nos outros textos, é bastante problemático. Logo, considerando esses e outros fatores creio que é impossível esperar algo de construtivo e agregador dessa galera conservadora e de seus ideais. Não dá pra esperar nada de positivo de saudosistas do que há de mais sombrio no passado. E por conta de tudo isso, o ano que está por vir me assusta muito, me preocupa o caminho que as coisas podem tomar com tantas condutas preconceituosas, discriminatórias e segregadoras sendo validadas por aí. Sinto como se o ódio tivesse quase vencendo o amor, como se as pessoas tivessem optado pelas diferenças ao invés das semelhanças, como se enfim o ‘eu’ tivesse vencido o ‘nós’. Meus olhos de mulher trans veem cada vez mais que as pessoas não estão perdidas como acreditava Criolo, elas só são más e insensíveis mesmo. E é por isso que me preocupo. Não temo àqueles que são limitados à olhar para o mundo através do filtro da ignorância, mas sim os que adotam essa ignorância como causa e fazem da estupidez a força motriz para sua cruzada de ódio, discriminação e violência, não se permitindo abrir-se para o conhecimento, para a empatia e a desconstrução. …


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Eu sou daquelas que acredita que as pessoas complicam as relações muito mais do que deveriam. Penso que o individualismo e uma educação que nos ensina que devemos possuir as coisas também nos passa o ensinamento que o outro por quem nutrimos algum tipo de afetividade passa a ser propriedade nossa. É como se fosse uma interpretação distorcida do tornar responsável pelo que cativas d’O Pequeno Príncipe, sendo que num primeiro momento não faz sentido algum acharmos que somos donos de alguém só porque gostamos dessa pessoa.

Não é nem um pouco difícil encontrar relacionamentos onde as pessoas se comportam de um modo que tenta doutrinar o parceiro ou a parceira para agir como se estas fossem as únicas pessoas interessantes na face do planeta. Olhar para um outro alguém na rua? Não pode. Querer sair com as amizades e não com o(a) parceiro(a)? É inadmissível! Dizer que fulano ou fulana é interessante? É praticamente um crime! Qualquer pessoa que tenha o mínimo de inteligência emocional é capaz de perceber que tudo isso se trata de comportamentos possessivos e doentios, mas também não é absurdo nenhum dizer que isso acontece, e muito. E, esses são apenas alguns pequenos e banais exemplos de que quase todo mundo está emocionalmente cru, ou desesperado, ou doente, ou tudo isso de uma vez só. …


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Não fale do seu deus como se ele fosse meu também. Não profira suas crenças religiosas como se fossem a verdade absoluta e nem as use como se fossem argumentos irrefutáveis. Não utilize a bíblia como referência bibliográfica e como se fosse um livro que contém todas as verdades porque ela pode talvez ser isso pra você, mas não é a tal verdade absoluta, bem como é sagrada pra ti apenas. Como posso ter como “sagrado” um livro que é a gênese de diversos preconceitos estúpidos e retrógrados. Inclusive, na minha perspectiva as religiões cristãs são o verdadeiro portal para o passado, a força motriz do retrocesso e da limitação das pessoas em serem mais humanas. O que é bastante contraditório, pois apesar de eu ser uma crítica convicta dessas religiões, não sou leiga e sei que muito do que é pregado nas igrejas por aí vão totalmente na contra mão do que prega a figura do próprio Cristo, tenho sido ele real ou não. Esse inclusive é outro problema, as igrejas acabam por se preocupar em materializar os fatos bíblicos por uma perspectiva literal e completamente rasa e acaba por deixar em segundo plano as lições que a crença cristã traz, que por muitas vezes são bonitas, porém os fiéis estão mais preocupados em reproduzir hábitos e costumes de uma sociedade que viveu há mais de dois mil anos atrás (porque é isso que a bíblia conta, a história de civilizações primitivas) do que pegar esses ensinamentos e adaptá-los à contemporaneidade e ajudar a fazer desse suposto “deus do amor” uma ferramenta efetivamente inclusiva, empática e que siga de fato aquele tal mandamento: “amar o próximo como a ti mesmo”, independente de como seja esse próximo. …

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