Kiev, primeiras impressões

O plano era que todos os dias quando chegasse em casa eu tirasse um momento para escrever meu dia, que afinal servirá de um grande relatório para que eu consiga me lembrar das experiências que ando tendo aqui. Mas, logo no segundo post, já vi que a missão de “escrever todo dia” é um desafio rs. Cheguei tarde e cansada em casa, arreguei. Ficou para o dia seguinte. E seguinte e seguinte e seguinte. Tentarei escrever ao menos uma vez na semana!

Vamos lá, dia dois. Acordei cedo para começar a me acostumar com o horário. O dia estava novamente super ensoladado, e fui logo me aventurar, no Google Maps. Decidi que eu iria até meu trabalho para já me situar do caminho e demorei até decifrar exatamente qual seria. Fui até a recepção para descobrir qual era exatamente o endereço do Hostel e descobri, então, que eu havia entendido certo o que Artur (AIESEC) havia me dito: não estou hospedada em Kiev, e sim em uma cidade vizinha, chamada Vishneve. Anotei bonitinho o caminho que precisaria fazer e fui ao mercado para fazer compras, desta vez de verdade. O caminho do supermercado é fácil (leva uns 10 minutos) preciso dobrar uma esquina e passar por dentro de uma praça, no meio de um conjunto de prédios que parece um condomínio, mas é aberto. Na praça tinha muitas famílias passeando, crianças brincando com bicicletas patinetes e outros brinquedos. Há um parquinho e uns balanços.

No supermercado não tive dificuldades, além de não encontrar o requeijão, que fiquei procurando por um tempo até perceber que não tinha. Na verdade uma dificuldade que tive foi de identificar o sal, que encontrei no meio da farinha e açucares após pedir ajuda à um atendente através do guia de conversação Russo + mímica. Vou postar umas fotos do Mercado para vocês verem… (tirei mesmo, bem turistona)

Açúcar arroz e outros grãos
Muitos e muitos corredores de álcool
Doces, muitos doces!
Chás! Por peso
Cafés! Também por peso
Linda loja
Doceesssss :)

Retornei ao Hostel (que aliás se chama “Friendly Hostel”) e fui cozinhar, preparar meu café da manhã/almoço. Chegando lá descobri que todos os utensílios de cozinha que eu havia visto pessoas usando, eram delas mesmo. Não tinha. E agora?? Pensei. Perguntei à uma moça (em Mímico) se havia objetos que eu poderia utilizar para cozinhar, ela fez que não tinha. Apontei para uma panela véia que havia lá e ela respondeu (em Mímico) que eu poderia utilizar caso eu lavasse e devolvesse no lugar. Perguntei à ela sobre talheres, ela fez sinal para eu esperar e saiu, como se fosse me emprestar os talheres dela. Voltou com uma colher! Hahaha Fez sinal como se tivesse me dado a colher de presente (ainda não tenho certeza, veremos) mas foi um gesto muito gentil!! Bom, preparei ovos mexidos, porque não iria conseguir cortar cebola e tomate para o omelete, a todo momento pensando que o dono da panela poderia chegar. Sucesso. Comi e lavei a louça (sem detergente e sem bucha rs) e devolvi a panela no lugar. O fogão aqui é quase a mesma coisa que o nosso mas ao invés de fogo nas bocas, é só uma chapa de metal, que esquenta..

Hora de ir para Kiev! Uhul! Coloquei várias roupas (aqui até quando tá calor ta frio) e sai. Foi super rápido, não precisei esperar cinco minutos no ponto! Até o ponto que eu demorou aproximadamente 35 minutos, achei razoável. Os ônibus são bemmm pequenos, acredito que menor que um micro ônibus do BR. Quem faz as cobranças é o próprio motorista, que tem uma caixa com divisórias para colocar o dinheiro ao lado do câmbio; fica em cima de uma espécie de “mesa” na altura do banco do moto, coberta com tapetes. Cada pessoa que entra joga, literalmente, seu dinheiro ali, dizendo para onde vai, e o motorista quando pode dar atenção vai pegando os dinheiros todos jogados do lado dele e dando o troco. O preço do ônibus varia de acordo com a distância que você vai andar, por isso você diz ao motorista onde irá descer para ele cobrar o valor necessário.

O preço para ir até o meu ponto é 12 hrivnas (para comparação R$1,50). Cheguei ao ponto e desci para o metro, onde encontrei um centro comercial de “camelôs”, só que são lojinhas fixas. Uma mistureba! Flores com roupas com comidas com bugigangas… meio loucura. Que depois de encontrar esta cena algumas vezes percebi que é muito comum e que há este tipo de comercio em todos os caminhos subterrâneos que dão acesso aos metrôs, e mais, é muito comum pelo centro pelo menos, essas passagens subterrâneas e todas com este tipo de comércio louco, preciso tirar mais fotos depois para vocês conseguirem entender. Perto da praça do meu trabalho, principal “Praça da Independência” tem um shopping mesmo, subterrâneo.

Vende até carnes no metrô!

Para embarcar há uma bilheteria para comprar o bilhete — ficha redondinha de plástico, parece aquelas de parque de diversões — que custa 4 hrivnas (R$0,50) e pode comprar no máximo 2 fichas. Passei pela catraca e me surpreendi, era aparentemente bem velho (foi o terceiro metrô construído na URSS, em 1960, depois apenas de Moscou e Leningrado) fui parando nas estações por curiosidade e é realmente um museu! Uma estação mais surpreendente que a outra, com bancos de pedra, bustos, brasões talhados, porcelana, etc! Cada estação é individualmente personalizada, tirei algumas fotos para vocês terem uma ideia. Ainda visitarei todas as estações só para ver como é que é.

Bancos de pedra!

Cheguei na minha estação que demora uns 20 minutos (chutados) e me surpreendi novamente! Me deparei com a maior escada rolante que já vi… que coisa absurda! Muitos e muitos e muitos metros, devo ter ficado subindo por pelo menos 2 minutos completos kkkk. Curioso que havia um operador das escadas! Tipo de trem, só que de escadas. E na hora de sair não havia catracas. (Tudo explicado quando descobri que há em Kiev a estação de metrô mais profunda do mundo! Estação Arsenalna, que fica apenas a uma estação da do meu trabalho!!! http://bit.ly/2pbZIuy)

Quando sai da estação, fui surpreendida maiiiisss uma vez. KIEV!!!! Caraca, sério… só de ver uma única avenida o que veio na minha cabeça foi que cidade linda, que sorte a minha. Era uma grande avenida, com construções gigantescas e muito tradicionais, pois fica no coração da cidade. Fui dar uma volta.

Mc Donalds básico

Tinha muita gente na rua! Casais passeando crianças brincando, tudo. Muita interação e joguinhos para os pedestres, como um golzinho para chutar uma bola, uma escada de correntes para tentar subir, um treco que media a força do soco! (é)…

Logo ali havia uma loja de celulares, onde entrei e comprei um SIM card (uhul, agora possuo internet e open google tradutor). Meu pacote custou 60 hrivnas (R$7,50) e possui redes sociais ilimitadas, 4gb de internet, 75 minutos para qualquer número da Ucrania, 25 minutos para qualquer número Vodafone (operadora) do mundo, e sei la quantas sms. É um pacote mensal, que preciso renovar todo mês em terminais eletrônicos que têm espalhados pela cidade, achei ótimo. Pedi informação sobre a rua do meu trabalho, que é chamada de “Passage” (felizmente na cidade de Kiev há muitas pessoas que falam inglês) e facilmente encontrei, é uma rua quase “beco”, toda bonita. Todas as construções e o asfalto são cinza chumbo. Não possui residências, só prédios comerciais, e lojão, muito lojão! Tem Louis Vuitton Gucci Prada Bulgari Salvatore Ferragamo e mais outras lojas que eu não conheço, mas que devem ser tão caras quanto. O escritório onde irei trabalhar fica nessa porta, que por enquanto só conheci o lado de fora.

Portal de entrada da rua do meu trabalho!
Passage
Portinha do meu trabalho

Depois fui andar um pouco entorno daquele local até a hora de eu encontrar Artur (mocinho da AIESEC) que havia me convidado para participar do encontro que a AIESEC faz a cada 2 semanas. Andei até a Praça da Independência que é o lugar mais famoso da cidade (fica a uma quadra do meu trabalho) e gostei muito. Novamente muitas pessoas! Turistas, skatistas, crianças brincando e grupos sentados na grama conversando, bem legal. Havia muita intervenção no monumento principal da praça, parecendo homenagens. Ha ali um subsolo, pois conseguia ver pessoas comendo através dos vidros.

A esquerda da praça há um grande (grande!) relógio; lindo, florido! Ali também encontrei muitas homenagens, que depois descobri o motivo: Há apenas 3 anos atrás houve uma revolução da população, que lutavam em relação à nacionalidade dos cidadãos que estava dividida entre Russos ou Ucranianos. Não tenho conhecimento nem entrarei em detalhes do que exatamente aconteceu, porém o presidente da época reprimiu todos os revolucionários, atirando neles (é). Por isso às homenagens. Me chocou, é uma história muito forte e muito recente. Triste.

Encontrei Artur e fomos para o local onde seria a reunião da AIESEC. Fomos caminhando, para eu conhecer um pouco mais a cidade. Linda linda linda, só prédios com arquitetura muito tradicional. Passamos por um lindo parque, chamado Shevchenko. Foi muito rápido com certeza voltarei lá para passar um tempo, pois é realmente muito agradável. Ele fica em frente de uma grande universidade de kiev, vermelha!!! Super diferente.

Chegamos à reunião e é incrivelmente legal o que eles fazem lá! É uma salinha com sei lá umas 30 pessoas, todas da AIESEC. Mesmo sendo uma reunião aberta, só havia eu de interno ali (interno é o intercambista que está ingressado ao programa). A reunião serve para falarem dos resultados de intercâmbios fechados, empresas aliadas e objetivos futuros! Eles fazem dinâmicas em roda, jogos de memória etc e são todos muito animados! Ficam comemorando, aplaudindo, e ditando “gritos de guerra” incentivando uns aos outros… Juro, muito muito legal. Talvez eu frequente mais vezes. Até me apresentaram na reunião do tipo “Oi gente esta é a Maria do Brasil e veio fazer intercâmbio aqui” ahahaha. Depois da reunião para a minha surpresa, vieram me convidar para ir a um café ou bar para comemorar minha chegada, como “Bem vinda” :) Foi super legal me senti muito bem recebida. Comi waffles e tomei Capuccino. 23:00 peguei um ônibus pra casa (Artur me ajudou a chegar ao busão correto) e meia noite estava em casa (motivo pelo qual não toquei aqui no teclado)

Dia três.

Coloquei despertador para 7:30 da manhã, mas meu corpo só quis acordar 11h… Foi bom, ele devia estar cansado… Estava tão atenta as novidades que nem sei onde coloquei as 6 horas de diferença do fuso horário. Nem percebi, pelo jeito meu corpo sim.

Acordei com pouco tempo para fazer tudo o que havia planejado para esta manhã, então fui direto para a prioridade: Comprar utensílios de cozinha para que eu pudesse comer. Havia combinado com Julianna (mocinha da AIESEC) de encontrá-la as 14h numa estação de metrô que fica 1h de casa, então tive que correr. Já estou familiarizada com o caminho do supermercado, o trajeto dura uns 10 minutos. Comprei tudo o que precisava para conseguir fazer comida: Panela, prato, garfo e faca (para minha sorte vende-se unitário). Também papel toalha, pano, detergente e bucha. Foi super legal comprar bucha (é) pois havia uma enorme variedade cores e tamanhos diferentes, muito curioso! Comprei 10 unidades de buchas, bem pequenas. O detergente, tive que usar o Google tradutor para pedir ajuda à um atendente, pois não possui o mesmo formato das embalagens aqui.

Corri para o hostel e sem almoçar já sai para pegar o ônibus (desculpa mãe). O ônibus que eu pego para Kiev é o 720 e ele realmente vem com muita frequência, pois novamente chegou muito rápido. Fiz meu trajeto usual e encontrei com Julianne. Disse à ela que não havia almoçado e me levou à um lugar de croissants, doces e salgados. É tipo sanduíche, mas é croissant.. delicioso!!! Preciso fotografar algum dia. Ela me levou para dar uma volta ali pelo centro mesmo, não muito longe do que já havia conhecido. Conheci uma nova igreja, talvez a mais antiga de Kiev, muito linda! Azul com detalhes brancos e topo dourado (vi apenas por fora pois ela estava sem dinheiro e precisava pagar, como é perto do meu trabalho deixei para a próxima).

Fomos à um café bem legal e também à famosa loja Roshen de doces, ambos também perto do meu trabalho. A loja é muito linda e grande, com dois andares! Toda enfeitada com desenhos na parede etc e muitas prateleiras com uma enorme variedade de chocolates e balas. Também ficarei devendo fotografias, que não será problema pois com certeza voltarei. Julianna também me levou ao principal banco dali, pois precisava verificar qual era o banco que meu cartão TravelMoney funcionava, e sucesso, consegui e já estou apta para sacar dinheiro quando precisar. Foi basicamente isso. Fiz o caminho de volta até a estação de metro onde eu pego o ônibus (desta vez não havia operador na cabine de escadas rolantes, que estavam funcionando normalmente, e também havia catracas para sair daquela estação). O lugar para eu pegar o ônibus de volta para casa (que é o mesmo lugar que chego de ônibus para pegar o metrô) é, novamente, uma espécie de centro comercial camelôs, só que desta vez a céu aberto. Parece uma feira. Ali também há uma loja de doces Roshen, e numa galeria um restaurante muito legal e colorido chamado Pesto Cafe (recomendado pelo Trip Advisor).

Pesto Cafe

Começou a chover, corri ao ponto de ônibus que novamente foi muito rápido para chegar. Não havia ainda pegado ônibus em horário de pico, bem cheios, e meu deus! Mais uma surpresa! Como os ônibus são pequenos, não dá para ficar circulando, então o povo vai passando o dinheiro até chegar ao motorista… Sim, de mão em mão da galera, sempre repassando o lugar que a pessoa vai desembarcar para que o motorista cobre o preço certo. E sim, o troco sempre volta, também de mão em mão. Hahahaha É muito esquisito e legal, fazem com muita naturalidade.

Bom! Cheguei no hostel com muito frio e peguei logo no sono. De novo sem forças para escrever aqui, o dia seguinte foi meu primeiro dia de trabalho! Aliás, já se passaram dois dias que não atualizei aqui, mas deixo para o próximo post a continuação da saga hehe tentarei lembrar dos detalhes.

Beijão a todos os queridos ❤

Saudades, já

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