Madrugada

Acordei no meio da noite, abri os olhos, mas apenas vi o breu. A lâmpada, acendida apesar da resistência dos meus olhos, iluminou tudo aquilo que a correria havia cegado. Vi a bagunça de meu quarto transparecendo a bagunça na qual minha vida se encontrava.

Minha primeira vontade: apagar a luz e voltar a dormir – amanhã teria que acordar cedo para algum compromisso que fazia parte das diversas anotações na minha agenda; a rotina não para, nem ao menos me deixa descansar por poucas horas. Contudo, exatamente por saber que minha correria nunca me permitiria parar depois, deixei a luz acesa e comecei a arrumar tudo naquele instante.

Minha vida estava uma bagunça e eu sabia que isso havia acontecido por constantemente adiar as pendências, esconder no escuro os meus problemas e arranjar algum compromisso mais iminente como desculpa para não resolvê-los.

Cansei de apagar a luz, cansei dessa bagunça na qual eu mesma me coloquei.

Arrumei meu quarto e fui dormir, com a certeza de que amanhã acordaria disposta a ajeitar todos os dilemas que espalhei pela minha mente durante aquela e muitas outras noites.

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