Estou sendo devorada pelo grande vazio que me tornei. Meu corpo decompõe-se em uma fatídica sintonia, fui jogada ao purgatório da exaustão dos meus penhores e uma chama incandescente toma conta de mim toda vez que lembro quem me tornei: apenas mais uma alma frágil que escolheu se abstiver de suas cicatrizes.
Tampouco, descobri que cicatrizes e hematomas se curam de sua epiderme, mas eles não vão sumir de sua alma. Minha sombra se tornoucaótica diante de todo o meu medo em estar se tornando um vulto qualquer entre todos os outros corpos. Deixei de pensar com clareza há dias, tudo se tornou um turbilhão de fragilidades e excesso de dores não cicatrizadas. Eu sou um dano permanente. Um dano escasso que se perdeu na colisão brutal entre os cosmos, se tornando apenas mais uma partícula de um todo.
O que sou? Sou isso, apenas mais uma partícula, que nem ao menos consegue ser um todo de uma teoria senciente, lamentando a própria morte na gravidade. Fui engolida pelo vazio turbulento, entreguei-me ao comodismo de um âmago amargo e supro-me de lágrimas insossas. Sou um dano permanente de uma vida crucificada.

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