Prece para Arte

Walter-Karwatzki_2012

Quando se clama por segurança, corre-se o risco de receber como benção bônus a privação da liberdade.

Por tão pouco, flertarmos com a sedutora censura, um picante conceito, que nos olhos dos “outros” é refresco. Tudo em nome da santa sensação de segurança.

Outrem ora por ti:

Pai, afasta de mim esse cálice.
Priva de meus olhos essas obras do mal.
Essa arte maldita, eu repudio.

Todos se curvam.

Amem.

Pronto, você está amarrado.

Preso. Trancafiado, muito provavelmente por não saber lidar com inquietações que nem compreende.

E se compreendesse, chegaria a conclusão que, não é sobre esta ou aquela arte, mas sim, sobre o que esta ou aquela obra de arte te faz sentir.

Mas entendo.

Proibir o que não se entende é mais fácil do que se propor a entender.

É mais fácil apontar dedos, tacar frases prontas e vazias, do que estender a mão ao convite que a arte te faz: entender e entender-se.

A raiva, vociferação, agressão é mais fácil que o caminho da ponderação, dialogo.

É conveniente jugar e jogar em tachos ideológicos ideias contrárias às suas, do que sentar à mesa com seus “inimigos”.

O que é certo: quanto mais reações se manifestam, tanto mais a Arte cumpriu uma das suas principais funções: provocar, incitar o incomodo.

Como um proctologista, que manda para o inferno seu pudor, para te alertar e curar do possível câncer.

Nua e crua, a Arte te mostra toda indecência que esta sua e nossa querida sociedade já produziu: politica, religioso e profano.

Queer você queira ou não.

Seja você MAN, Woman, Homem, Mulher, em todos Gêneros, números e grau.

A Arte, mesmo diante da sua repressão, segue.

Mesmo se o MAR aberto se fecha, a nau da arte navega.
Pois a Arte existe, porque a vida só não basta.

Em nome dos seus Pais, Filhos e do seu espirito.
Liberte a Arte.

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