Power to the people

Stick it to the man.

Cá entre nós: não sou nenhuma grande especialista em cinema. Dou uns pitacos aqui e ali, principalmente durante a premiação do Oscar, porque, durante o Oscar, somos todos especialistas na sétima arte, né não? Mas meu gosto por um filme sempre tem mais a ver com a emoção que ele me causa do que com sua qualidade técnica — embora normalmente eles sejam os famosos FILMES ACLAMADOS PELA CRÍTICA. E meio indies, também, porque a crítica ama aclamar filmes indies.

Mas ontem eu reassisti Capitão Fantástico e senti uma necessidade imensa de espalhar as palavras de Ben Cash para o mundo.


Vi o filme pela primeira vez quando ele ainda estava em cartaz no Reserva Cultural. Na época, todo mundo falava maravilhosamente bem dele e, bom, tinha o Viggo Mortensen, crush eterno desde que interpretou o Aragorn em Senhor dos Anéis. A febre pré-Oscar já estava tomando conta das pessoas e o ator era um dos indicados, então o buzz estava grande — a sala lotou e foi sorte eu conseguir um lugar.


Naquele dia, saí do cinema maravilhada. Capitão Fantástico é um dos filmes mais sensíveis que vi nos últimos tempos e eu fiz muito coraçãozinho com as mãos para Viggo Mortensen e todo o elenco infantil. Minha vontade foi de baixar a discografia inteira de Noam Chomsky para estar preparada para as comemorações do dia 7 de dezembro — a vontade passou um pouco até eu cruzar com a música de Foy Vance. Noam Chomsky está definitivamente na minha lista de autores para ler.

Uncle Noam, it’s the day of your birth!

A celebração do aniversário de Noam Chomsky é maravilhosa, mas uma das minhas cenas preferidas do filme é essa daqui:

Sem contar a cena final. Sou apaixonada por essa versão de Sweet Child o’mine:

Ok, preciso ser sincera: não é muito difícil eu gostar de algum filme, então talvez eu não seja o melhor parâmetro para você pensar que Capitão Fantástico é, sim, fantástico. Nem a crítica, já que a crítica também achou Cassey Affleck muito bom em Manchester à Beira-Mar. Mas dê uma chance para esse filme, não só pelas razões que eu mostrei acima (particularmente, eu acho que que qualquer filme com uma versão tão linda de Sweet child o’mine merece atenção). Capitão Fantástico é um filme sobre família, sobre pessoas, sobre educação, sobre política, sobre a bolha em que vivemos, sobre a vida. É um filme sobre erros e acertos. Sobre consumismo, sobre acúmulo de bens (eu disse que era sobre política, né?), sobre uncle Noam, it’s the day of your birthday. Por favor, alguém me dê um livro do Noam Chomsky de presente.

Também tem uma pegada roadtrip e o ônibus deles tem até um nome: Steve!

Isso não é uma análise, não é uma resenha. É só uma sugestão um tanto apaixonada para que vocês deem uma chance a Ben Cash e sua família. Porque um filme tão lindo assim não é lá tão fácil de ser encontrado. Então quando a gente dá de cara com um, precisa abraçá-lo com todas forças.