Capitulo 01 — Núcleo Base

Meus olhos ainda estavam cegos de azul quando esbarrei na parede. Olhei para os lados e eu estava em um vestiário. Peguei o primeiro uniforme que vi na frente e troquei de roupa. Esse tal de Majtom vai ter que encontrar um outro uniforme. Eu ainda estava meio tonto quando saí pela porta do vestiário, só para que o alarme ensurdecedor me trouxesse de volta a realidade. Eu estava sem tempo.

— Ta me ouvindo? Me responde logo cara — Dizia uma voz no comunicador do meu ouvido — Você sumiu por 3 minutos! Não vai dar tempo de você escapar daí!

— Eu vou voltar e pegar — alertei com voz arrastada — me veja pelas câmeras de segurança que você vai entender.

— Você é retardado? Aborta a missão agora! Já estou te olhando pelas câmeras e estou vendo os guardas arrombando a porta principal. Saia já daí — berrava no meu ouvido.

Coloquei a mão no meu bolso, senti um volume. Não tinha esquecido de pegar. Respirei aliviado e continuei correndo pelo corredor úmido. Meus passos ecoavam junto com as goteiras do longo corredor. Passei por dezenas de portas verdes, feitas de aço. Pareciam uma série de portas de cofre, mas sabia eu que não era o caso. Nenhuma dessas portas importavam. O que eu queria estava numa porta simples, com plaquinha de “armário”.

Já ofegante, cheguei ao final do corredor e também a sala de armário. Ouvi ao longe uma porta sendo arrombada e passos frenéticos vindos em minha direção. Nada importava, eu já estava trancado na sala de armários, buscando pelo armário numero 220. Não estava nem trancando.

Abri o armário e, junto com uma série de roupas sujas, estava ele. Era um cubo com lados transparentes, que serviam para mostrar um interior repleto de fios e placas de processamento. Dois lados opostos tinham uma série de conectores. Procurei uma câmera na salinha e mostrei o meu prêmio.

— Tá, parabéns. Agora como é que tu vai sair dessa? Os guardas já estão chegando na tua porta — Dizia o meu comunicador.

— Olha a mágica! — Ainda olhando para a câmera de segurança, tirei do meu bolso um pequeno suporte de ferro que pluguei em um dos conectores do cubo — E agora o toque final! — Do mesmo bolso, tirei um objeto que parecia um canetão, mas com uma ponta de agulha e apliquei direto no meu pescoço.

— O que diabos é isso? De onde você tirou essa merda? — Berrava preocupado no meu ouvido.

Senti o calor percorrer pelo meu corpo e meu rosto começou a queimar. Parecia que todos os ossos do meu rosto estavam sendo quebrados e moídos. Cai de joelhos agonizando, com o cubo pressionado fortemente contra meu peito. A dor foi passando rápido, mas sentia que meu rosto parecia borbulhar de tanto que tremia.

— Mas que caralhos? Como isso é possível? Você é… mas como… — A voz no meu comunicador parecia atônita — Eu…

— Se eu sobreviver, eu te conto tudo — Eu disse sorrindo, enquanto ouvia chutes na minha porta. Levantei de pressa e corri para a janela.

“Obviamente você vai sobreviver” foi a ultima coisa que ouvi. Comecei a gargalhar até as lagrimas escorrerem. O lado bom de pular do vigésimo nono andar é esse, você tem tempo para perder o comunicador no ar, gargalhar até doer a barriga e se preparar para um impacto iminente contra o asfalto. Enxuguei as lágrimas, peguei o cubo e preparei. Estiquei o cubo em direção do asfalto e senti um leve impacto.

Uma luz azul me rodeou, juntamente com um barulho ensurdecer de descarga. Senti uma fisgada no estomago, parecia que eu estava levitando do chão. Ou estaria sendo puxado? Não tive muito tempo de pensar, minha cabeça logo explodiu em uma dor absurda me fazendo desmaiar.

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