Expressão do oprimido

Essa expressão, “por que”, vem enchendo minha mente de indagações que as vezes me parecem “irrespondíveis”. Me pergunto diariamente por que a sociedade é tão rude e cruel com pessoas como eu. Gente que, por fugir dos princípios da heteronormatividade vigente, é invisibilizada pela grande maioria e pela classe política. Nem sequer temos direitos assegurados, embora paguemos impostos e sejamos alvos de grandiosos volumes de produtos e capital investidor. Será que numa realidade tão diversa, tão diferente que sempre tivemos e convivemos, aceitar uma diferença (tão ínfima) a mais afetará tanto assim o dia-a-dia dos demais?

O momento em que você se dá conta de que as pessoas consideram sua vida sexual/afetiva pra definir seu caráter é deveras assombroso. Acredito que ninguém tem mais propriedade pra falar sobre do que quem vive dentro dessa realidade, como eu. Não estou aqui usando de vitimismo, como tanto acusam a comunidade LGBT. Relatar sua realidade não é usar de vitimismo. Só busco, com esse texto, desabafar um pouco, compartilhar esse peso com quem quiser carregá-lo comigo. Luto diariamente contra todas as formas de preconceito e discriminação. Quero que as pessoas tenham seus direitos respeitados. Vivo um sonho, um tanto utópico, de ver uma sociedade mais igualitária, seja economicamente e socialmente.

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