Eu sei que a beleza não mora em mim.

Ela está no mundo

Ela ri e vibra em palavras melancólica, nas cólicas, nas lógicas…

eu a aprecio, pronta, de idade, nas rugas e nas plantas que enrijecessem suas veias. Bela, Linda, Ela, Flor, Jasmim, Vó, Negra.

Nunca deixarei de perder meu tempo reconhecendo quão bela sois

Jamais deixarei que tuas primaveras me cansem ou me façam parar

Assim do nada, hoje me lembrei que toda beleza mora em ti.

A distância só é bela quando me afasta de ti. A saudade só é bela quando é saudade de ti. Cai agora suor dos meus olhos. É o calor vó.

Me perdoa amor pelo calor que faz.

Há inúmeros livros a minha volta. Nenhum é tão sábio quanto tuas palavras. um link me conecta a tudo. Nada se compara a ligação que existe entre meus olhos e os teus. Entre teus dedos e o meu couro cabeludo quase posso sentir meus fios viajando pra te ver. O silêncio se faz. O ventilador ladeia. É o calor.

Aí, no sítio deves estar em sítio de calor também. Eu posso sentir tuas faltas de mim. Mal posso esperar pra supri-la. Teu calor e meu calor querem crescer, querem ser juntos.

Vó.

A beleza não mora em mim. Quilômetros me separam dos teus cabelos brancos. Sinto uma aperto no peito. Já sei! Vou dormir. Quem sabe passa.

A noite sabe me trazer o cafuné da tua saia ainda quente da beira do fogão.

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