Guerra hibrida e o Facebook.
Comunicação política, propaganda, desinformação e cyber guerra por meios não convencionais.

Manoel J de Souza Neto

Se na obra de ficção Nineteen Eighty-Four (publicado em 1949), Orwell temia uma sociedade vigiada diretamente pelo Big Brother e pelos agentes de um Estado totalitário, foi Huxley em Admirável Mundo Novo (1932) que mais se aproximou da distopia da sociedade atual, apresentando uma sociedade alienada pelo entretenimento de massas e uso de químicos. O que ambos não poderiam prever, é que o controle se tornaria tão sofisticado graças aos bots, algoritmos, identificação de perfis psicológicos, programas como PRISM (de vigilância) e criptomoedas usando maquinas zoombies para mineiração de dados de todo o mundo nas sombras. Não apenas estamos sendo vigiados pelo Estado (mas por corporações e qualquer um), como também sendo manipulados e recebendo clima psicológico pela rede social Facebook. Seria esse sistema o que chamam de Monster Mind?

Postagem de 18 de novembro de 2012, alertando: “ … (tem gente que é paga para ficar comentando e dando likes). Apenas uma plataforma promete atividade para mais de 1 bilhão de pessoas, que felizes, se prestam aos serviço de “escuta” para os serviços de inteligência… Se você é uma pessoa que aderiu ao vigilantismo voluntario… vá até o espelho e bata palmas…”

Em seu livro ‘A Condição Humana’, Hanna Arendt, relata o impacto que teve a invenção do avião de guerra e a bomba atômica (na primeira metade do século XX), no imaginário das massas que ficaram aterrorizadas com a capacidade dessas invenções em matar civis com facilidade, pois eram capazes de passar por cima das forças militares à enormes distâncias de suas origens. Esse espanto, diante de tais tecnologias, no entanto não seria tão impactante quanto a propaganda, pois essa é que paralisa a maioria das pessoas diante da crença ou descrença, das informações “impostas” pelo Estado ou da contra-informação promovida por seus inimigos. Mais que as mortes que provocam espanto, é na propaganda e na comunicação visando a Opinião Pública, que se desenvolveu com mais eficácia desde o século XIX, a arma mais poderosa, capazes de destruir nações, muitas vezes sem lançar quaisquer artefatos explosivos.

Harold Lasswell, da mesma forma que Eduard Bernays (sobrinho de Freud) foram grandes defensores da aplicação de métodos de manipulação da Opinião Pública. Se a propaganda era instrumento perigoso, em tempos de jornalismo e rádio, com a TV (e cinema e música) não pararam de ser aprimoradas como ferramentas ideológicas para fins políticos e econômicos. Como peça de propaganda a TV se popularizou no mundo na segunda metade do século XX, promovendo alienação, angustia, desinformação, mistificação, reificação dos sujeitos, divisões sociais, e em outras nações, os mesmos programas e conteúdos produzidos nos USA, usados para interferir na soberania e no psicológico de nações inimigas, isso ao menos na visão de críticos da comunicação e psicanálise franceses como Jean Baudrillard, Guy Debord e Lacan.

Com a internet, surgiram novos ventos promissores, e a esperança de que essas ferramentas uniriam a aldeia Global descrita inicialmente pelo pensador Canadense McLuhan, permitindo que todos tivessem acesso as mídias, e posteriormente fossem mídias (Broad Cast Yourself), desintermediando relações, aproximando publico, criadores e consumidores (SOUZA NETO, 2014), promovendo a sociedade do conhecimento, algo almejado, como uma utopia, de que a sociedade se tornaria mais civilizada através do acesso à informação (CASTELLS, 1996).

Mas qual informação, qual mensagem, quem diz, o quê diz e para quem? Quem qualifica a informação que circula em redes diante de tantas sombras criadas pela tecnologia? Questões que tem sido ignoradas. A sociedade parou de perguntar como a estrutura funciona e para que serve, aspecto central da obra de Louis Althusser. As teorias críticas foram abandonadas em favor da chamada crise das especificidades, da história e dos grandes conflitos, onde os questionamentos no geral são voltados aos estudos de caso, microambientes, gênero, identidade, questões étnicas, individualismo, etc.

Sem observar do que se trata a estrutura das redes comunicacionais criadas com investimentos pesados de governos e corporações, muitos se sentiram seguros com a desregulação e desintermediação do ambiente comunicativo nas redes, diante da sensação ilusória de que a internet, não poderia ser utilizada como ferramenta de manipulação da opinião pública por ter gerado um ambiente com muitas narrativas em disputa, uma plataforma aberta e colaborativa, ao menos foi isso que imaginou um de seus maiores idealizadores Tim Berners-Lee. Uma fé depositada nas teorias do pluralismo e interdependência complexa de Robert, O. Keohane, que se aplicam a política e a teoria de redes, mas principalmente na geopolítica.
Enorme ilusão! Pois o que se viu desde o começo do século com a consolidação de redes sociais, não foi colaboração, mas sim o uso de mascaras sociais que favoreceram pessoas através de perfis falsos, avatares, para realização de crimes, fraudes, mentira, bulling virtual, fake news, golpes, isso fora todo tipo de absurdo que ocorre na Darknet sem ser visto pela maioria.

Como filmar uma revolução — Materiais de treinamento de grupos para derrubada de ditadores, distribuídos em nações democráticas como o Brasil, nas jornadas de junho de 2013.

Mas a percepção de que algo estava errado nas redes sociais poderia ser confundida como ocorrências isoladas, promovidas por indivíduos e não pela programação dada pela super estrutura. Essa impressão de redes formadas por sujeitos em muitas narrativas e conflitos pluralistas esconde a realidade da internet, como ambiente que se tornou cada vez mais concentrado e dominada por poucos sites. Segundo GREHAM e DE SABBATA (2013), em a “Era dos Impérios da Internet”, a maioria das pessoas do mundo consulta basicamente Google e Facebook, tendo ainda em algumas regiões algum espaço para Yahoo, Baidu e Yandex.

Essa sensação de segurança nas redes sociais já havia sido abalada em 2013 com a denuncia de Edward Snowden de que a NSA teria vigiado o mundo inteiro através de um programa chamado PRISM. Mas quando o jornal inglês The Guardian publicou a história de Christopher Wylie ex funcionário da Cambridge Analytica que denunciou atividades suspeitas no interior do Facebook, isso se revelou algo mais próximo da realidade das pessoas, pois não se tratava mais de um “suposto” ato de uma agência de inteligência da qual a maioria das pessoas por ignorância poderia entender como alguma teoria conspiratória. O que foi revelado é que ocorreu no Facebook violação de 87 milhões de contas (mas pode ser muito mais), através da invasão de perfis, apropriação indevida de dados pessoais dos usuários. Mais que isso não se tratava apenas de uma sequência programada de algoritmos e uso de bots, para traçar mero “perfil de consumidores”, mas na verdade, foram usados para formar banco de dados de usuários, e como uma distribuidora de informações em time line, criada pra devolver material de propaganda ideológica, influenciar eleições e promover clima político, em seu território nos EUA e em diversas nações no mundo (THE GUARDIAN, 2018).

Caso Cambridge Analytica — manipulação dentro do sistema com colaboração do operador o próprio Facebook — chanel 4 news 2018

Essa denuncia pegou muita gente de surpresa, mas não foi novidade para diversos pesquisadores, jornalistas ou analistas e ativistas políticos. Entre 2009 e 2013 foram vistos fenômenos suspeitos de manipulação das redes sociais, manifestações convocadas pelo Facebook e Twiter (WhatsApp, Google, Instagram?), nos países onde ocorreram Revoluções Laranjas, Rosas, Púrpuras, Coloridas, o que ficou conhecido como Primaveras Árabes, ainda que não tenham sido exclusivamente no oriente médio, mas fatos, não isolados, ocorridos em todos os continentes.

Esse terror do desconhecido, provocado pelo espanto que a humanidade sente da enorme capacidade que tem de inovar cientificamente com objetivos de matar, causar danos e desenvolver armas terríveis, me faz recordar novamente Arendt (2007), pois quando ela constatou o terror sentido na primeira metade do século XX, com a capacidade de aviões atacarem civis para além das linhas inimigas, ou enviar bombas atômicos, talvez jamais imaginou, que esses ataques poderiam se desenvolver tanto, que poderiam ser feitos dentro da casa de qualquer pessoa, ou onde estiverem através de celulares, de forma dirigida ao perfil de cada um, porém simultâneos e feitos de forma massiva.

Sendo ataques de manipulação de massas, mas com mensagens dirigidas e simultâneas para cada receptor, atravessariam as “linhas inimigas”, através de Cyberwarfare. Muito mais grave, é a situação que esses ataques não partiriam da maquina de guerra das nações inimigas, ou como forma de controle por aquele que segundo Weber, detém o legitimo uso da força, que é o Estado, mas esses ataques poderiam partir como atos de guerra de hackers, empresas de consultoria ou vindos de qualquer um que conseguir entender e aplicar essas tecnologias. A teoria pluralista das relações internacionais, nunca foi aplicada de forma tão vertiginosa, não se tratando mais de meras ações de Softpower, ou tensões calculadas nas teorias dos jogos entre organizações multilaterais, pois na atualidade precisamos admitir que entramos em uma fase caótica de wargames na geopolítica, jogadas por qualquer um.

O caso da Facebook e Cambridge Analytica não é único e nem isolado (conforme a CNBC revelou sobre a suspensão da CubeYou em 08 de abril 2018), pois essas empresas tinham chaves especiais para operar contas de marketing e status de administradores dentro do facebook.

Cambridge Analytica — “Nós estamos no Brasil” | Mark Turnbull — managing director, CA Global Political — chanel 4 news 2018.

O que se torna ainda mais perturbador, pois o escândalo está se revelando ser muito mais grave e comum do que se imaginava. O conflito devido ao vazamento de tecnologia, se tornou uma Cyberwar autonoma, multilateral, multidimensional e caótica, não sendo mais exclusividade militar ou de agências de inteligência, pois segundo o Wikileaks, um arsenal hacker de uso de inteligência militar teriam se tornado acessíveis por milhões de usuários após diversos vazamentos de tecnologia de cyberwarfare (como exemplo a que foi promovida pelo grupo Shadow Brokers em 2016).

A guerra, pelo acesso as armas e técnicas de cyberwar, passa a se tornar “de todos, contra todos” como descrito por Rousseau há mais de 230 anos ao tratar do estado de natureza (a ausência da organização dos homens sem o Estado), que justificou o ideal da geração de pensadores que ele pertenceu, como a necessidade da existência de um “contrato social” entre todos os cidadãos e o Estado. Aquilo que falta a internet global na atualidade, um contrato social das redes.

Não seria portanto uma guerra convencional o que está sendo observado, mas uma guerra não convencional (Special Forces Unconventional Warfare — novembro 2010 TC 18–01). Essas novas armas, estão sendo usadas indiscriminadamente por executivos para derrubar empresas concorrentes, por funcionários pela competição de cargos, grupos musicais para acumular likes em suas páginas (JOLLY, 2017) e derrubar a imagem de concorrentes. Está sendo usada para destruir reputações de ativistas, e mesmo de pessoas comuns, por motivos banais como vingança. E esses serviços não estão disponíveis apenas na Darknet, podem ser encontradas facilmente em anúncios.

Estamos falando de empresas de comunicação política e Big Data que agem na clandestinidade, nas sombras, criando armadilhas, fakenews, agitação e convulsão social. São mestres em dissimulação, dark arts, psychologicalwarfare, cyberwarfare, geopolitca wargames. Aspecto profissional que nos exige o questionamento, do quão estão envolvidos nesses jogos, operando guerras secretas, ex-espiões, mercenários, hackers, trabalhando para o ONGs e coorporações sem nenhum tipo de código de ética?

Porém é o no campo da mobilização da Opinião Pública onde essas ferramentas vem promovendo seus maiores estragos. Nunca a propaganda se tornou tão perigosa como arma capaz de derrubar regimes autoritários, ou acabar com clima democrático, e mesmo eleger candidatos indesejáveis. A manipulação das redes sociais em especial o Facebook, tornou o mundo um lugar ainda mais perigoso e incompreensível como previsto por BAUMAN autor de sociedade liquida, ao afirmar que “as redes sociais são uma armadilha” (EL País, 2016).

Nunca uma arma foi criada para fins tão perversos como essa ferramenta chamada rede social Facebook. Pois diferente do que se imagina, não se trata apenas de empresas de consultorias que podem estar fazendo uso errado dessa rede, mas na essência, o Facebook tem por função, atrair atenção permanente (HARRIS, 2017), indexar dados, manipular e dirigir informação aos seus usuários de forma seletiva, dando chaves especiais de administração de suas operações justamente para essas “consultorias” ameaçadoras. Existe alguma diferença disso, para Psy War?

Psyops: ‘Psychological Operations’ 
Any form of communication in suppot of objectives designed to influence the opinions, emotions, attitudes, or behavior of any group in order to benefit the sponsor, either directly or indirectly. (Department of Defense. US Army Field Manual 33–1, 1979)

Os micro direcionamentos das postagens, foram calculados pelo facebook e não podem ser entendidos diferentemente de ataques de psychologicalwarfare. Em 2014 a rede social admitiu ter feito experiências psicológicas em seus usuários. É disso que se trata seu perverso algoritmo. Manipulação!

Não existem limites onde não existem regras, nem ética e sobram ganância e lucro extraídos virtualmente por escritórios limpos e cheirosos por sobre o sangue de pessoas reais. Ações que interferem nas democracia, através de dados e dos velhos truques sujos (CHANNEL 4, 2018)
Quais os limites entre marketing digital e crimes de massas em larga escala? Já que essas ferramentas não seriam apenas usadas para marketing empresarial e eleitoral, se essas manipulações podem estar arruinando economias, criando conflitos entre blocos econômicos, agitação e crises políticas, destruindo reputações, inflamando as massas para encher protestos e comícios, separando famílias, dividindo nações, derrubando governos, bem como criando polarizações políticas e até guerra civil, levando centenas de milhares a mortes, gerando milhões de refugiados, e colocando o poder atômico nas mãos de pessoas com sérias limitações morais e intelectuais.

Nos bastidores da mídia dois nomes prevalecem, de um lado estariam por trás de muitas da ações, forças conservadoras envolvendo Irmãos Koch, Robert Mercer SCL Group e Cambridge Analytica, e do outro globalistas liderados supostamente por George Soros e Open Society. Essa limitação aos dois atores principais citados pela imprensa não dá respostas as complexidades localizadas, porém diversas ações podem ser atribuídas, ainda que arbitrarias aos blocos citados.

Apoio de movimentos sociais de esquerda no Brasil para agitação e mobilização nas redes sociais e nas ruas, através da Open Society de George Soros. Banco de Projetos Culturais FDE NINJA(21)
Apoio de movimentos sociais de direita no Brasil para agitação e mobilização nas redes sociais e nas ruas, em especial do MBL, através da Atlas dos Irmãos Koch. Estudantes Pela Liberdade — doadores atlas 2016.

O que os 2 bilhões de usuários dessa rede social, e muitas outras pessoas no mundo tem o direito de saber, é o quanto o Facebook sabia, ou estava envolvido na manipulação de massas, promovidas por diversas empresas de “consultoria” que foram responsáveis em ações que resultaram em agitação global nessa década?

Vamos recordar alguns casos, como a guerra civil da Siria, Venezuela e Ucrânia, a derrubada de governos na Líbia, Egito e Tunisia, protestos na Argélia, Bahrein, Djibuti, Iraque, Jordânia, Omâ, Iémen, Kuait, Líbano, Mauritânia, Marrocos, Arábia Saudita, Sudão e Saara Ocidental, Lembremos também dos protestos na Rússia, Irã e Cuba no começo da década. Existem indícios de manipulação de resultados eleitorais em nações como Republica Tcheka, Nigéria, India, Argentina, Quenia, e na atualidade operações da Cambridge Analytica no Brasil, Australia, Mexico e China (CHANNEL 4, 2018).

Gene Sharp — From Dictatorship to Democracy — manual distribuído nas nações citadas, visando derrubada de governos opositores dos EUA.

Além desses incidentes nas nações citadas, o quanto as consultorias políticas realmente influenciaram nas eleição de Trump e se realmente tiveram ajuda da Rússia? Qual foi a verdadeira influência na aprovação do Brexit na Inglaterra? E qual a influência nos protestos de rua (2013) e no impeachment (2016) da ex presidente Dilma Rousseff no Brasil? O quanto isso afetou a União Européia ou BRICS? E o que mais, sequer ficamos sabendo?

Questões que vem sendo reveladas, mas são complexas demais para serem fechadas em apenas um artigo, até por isso, melhor que fiquem em aberto para serem respondidas com tempo, com dados já existentes, e que logo sejam analisados sejam publicados. O mundo precisa de respostas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
ARENDT, Hannah. A condição humana. 10ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.
BAUMAN, Z. Entrevista ao Jornal El País, 08, de janeiro de 2016.
CASTELLS, Manuel. The Rise of the Network Society. The Information Age. Cambridge, 1996. 
CASTELLS, Manuel. Communication Power. New York, 2006. 
Channel 4 News, Cambridge Analytica Undercover: Secret filming reveals election tricks. 19 de março de 2018. www.youtube.com/watch?v=mpbeOCKZFfQ
FANG, Lee. Esfera de influência: Como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana. The Intercept, 11, Aug, 2017.
FINARDI, I. Sua opinião não é sua, George Soros é quem pensa por você. 23, Aug, 2016.
HAFNER, P; STEINBACH, A. The revolution business, Journeyman Pictures UK, 2011.
HARRIS, Tristan. Como um grupo de empresas de tecnologia controla bilhões de mentes todos os dias. TED, 2017.
JOLLY, Bradley. The bizarre ‘click farm’ of 10.000 phones that give FAKE ‘likes’ to tour most-loved APPS. MIrror, 05–15_2017.
PHILLIPS, Dom. Brazil´s right on the rise as anger grows over scandal and corruption. The Guardian, 26, Jul, 2017.
Psychological Operations. Department of Defense. US Army Field Manual 33–1, 1979.
ROCHA, C. Think Tanks ultra liberais e a nova direita brasileira. Le Monde Diplomatique, ed, 124. 02, Nov, 2017.
SOUZA NETO, M, J. A popularização dos meios de produção e difusão da música, e crise na indústria fonográfica. Revolução do precariado musical e contrarrevolução. Revista Lugar Comum nº43, pp. 149–162.
WIRED, Edward Snowden, 08–08–2014
ZETTER, Kim. Meet Monstermind, the NSA bot could wage cyberwar autonomously, 08–13–2014

*Escrito originalmente em abril de 2018 para The Journal of European and American Intelligence Studies, ficando inédito até o momento.

** Uma versão resumida foi publicada no Duplo Expresso em Maio de 2018. Textos e entrevistas complementares: