eUcontro

manuela antonino
Sep 2, 2018 · 2 min read

Acordei quase às oito da manhã em pleno domingo depois de um sábado claramente flopado em que no mais tardar das duas da manhã já estava em casa bem coberta e com o computador no Netflix. Era uma grande ilusão achar que ir pra São Paulo iria resolver todos os meus problemas sociais. Seria muita burrice apostar e criar grandes expectativas num fator populacional e territorial. Tem milhões de opções de rolês todos os dias é segunda de quatro horas da manhã e ter um after em algum lugar, é realmente impressionante.

Mas por algum motivo ter as possibilidades não quer dizer exatamente participar das mesmas. Fica mais difícil, falta as pessoas que fariam aquilo tudo fazer sentido. Eu tenho saudades de Recife, que sair pode ser nem sair, é ficar na casa de alguém mesmo, comprar umas cervejas ou vinhos e escolher sua própria música em qualquer JBL. Só precisa disso. Parece que aqui é um esforço pra qualquer coisa, tem que ter disposição, vontade, gente, metrô, e no final tudo ainda vira um grande risco de voltar pra casa sozinha.

Talvez eu não tenha tentado de verdade, talvez essa vontade de viver os storys dos outros crie expectativas demais em uma rotina fatídica e todo esforço fosse em vão. Parece que tem que ter uma pessoa que faz tudo aquilo ter sentido e mais uma vez eu consigo romantizar até as minhas saídas. Os dias que eu deveria dar folga para as minhas loucuras são os dias que eu mais exijo de mim mesma. É sempre se forçando a encontrar alguém, alguém pra fazer toda aquela loucura fazer um pouco mais de sentido. PAM. Talvez numa novela do século XIX isso faça mais sentido do que nessa página da internet dos anos 2018, 2018. Por favor, né? É muito difícil desconstruir raízes de uma sociedade conservadora e careta, mas é uma necessidade vomitar em cada gesto do patriarcado.

Ainda mais difícil ser libriana que parece buscar um relacionamento em cada respiro, cada gato que passa na rua, cinema com pipoca quente e músicas de Alceu Valença. Eu sei que ela vai ta em algum outro momento, eu sei que não tem pressa para encontros, não precisa sair correndo sem saber pra onde ir. Não se questiona sobre o saber, só vai. A segurança vem da gente e mais ninguém. A gente não pode dar essa segurança pra mais ninguém, desapego é uma necessidade, uma obrigação e isso não significa não viver relacionamentos incríveis, significa cuidar de si, porque Platão está muito longe de criar verdades absolutas. Não fomos feitos pra encontrar ninguém, os encontros são as fases e a vida é da gente.

    manuela antonino

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    oi, Olga.