eu sempre quis escrever um soneto, mas como o assunto é você, ele veio desajustado

os nossos momentos conjuntos parecem etéreos

distorções de qualquer experiência sensorial prévia

de pulso acelerado que eu poderia tentar descrever


a matéria esquenta, dilata, amolece, afrouxa

acessa estados descomunais de existência

condições anormais de temperatura e pressão


imaterialmente me encontro perdida, surpresa, atordoada

tomada por paradisíacas explosões insanas de desejo

que pervertem o meu imaginário num poço insalubre de imagens

meio indelicadas que o meu insconsciente projeta em você


e todo esse desequilíbrio me torna completa

afogada na conversa corpórea que se descortina

enquanto você me beija segurando meu queixo

querendo fixar os meus olhos nos seus.