«Inconformismo» procura-se!

Conformismo. Fanatismo. Moralismo. Numas há excesso de participação, noutras falta dela. Numas há uma crença forte, vincada e o objectivo de a tornar uma verdade absoluta imposta. Noutras o perigo está em entregar a busca da verdade a outros, prescindindo de participar nela.

Deixar que outros decidam por nós o que é bem e o que é mal. Definir e impor aos outros a nossa definição do que é bem e do que é mal. Censurar e oprimir constantemente quem não pensa como nós. Conformismo, Fanatismo e Moralismo. São estas as três epidemias que vão assolando o nosso mundo. Cabe-nos a nós, Portugueses e Cidadãos do Mundo, decidir se queremos ser infectados por alguma delas. Deixarmos de ser conformistas, sem nos transformarmos em fanáticos ou moralistas, deve ser a missão de uma geração, da nossa geração.

Destas três, aquela que mais me preocupa é o conformismo porque, infelizmente, é esta que já define a minha geração. Não acho que o Fanatismo ou o Moralismo sejam aceitáveis ou, sequer, pouco perigosos. Mas, de facto, hoje em dia, o Conformismo assumiu o papel principal. A indiferença com que temos vindo a abordar os problemas do nosso País e do Mundo não pode continuar a definir-nos e, por isso, assumir o compromisso de combater este estereótipo tem de ser uma meta partilhada por todos.

Com o passar do tempo, fomos assumindo que nada do que se passa à nossa volta nos diz realmente respeito. Porque, vendo bem a situação, nada do que se faz ou do que se deixa por fazer nos vai afectar de facto e em nada há de mudar a nossa vida. Sabemos, em consciência, que é patético, irresponsável e menor pensar desta forma e agir em conformidade. Mas, a verdade, é que a sociedade (parece-me que a nossa, a Portuguesa, muito em particular) nos empurra nesse sentido. E nós, esbracejamos para disfarçar, mas lá nos vamos deixando empurrar e assentimos porque, vistas bem as coisas, também não reconhecemos eficácias noutros caminhos. Claro, os que decidem por nós, sem nos perguntarem o que achamos disto ou daquilo, agradecem o nosso desinteresse, a nossa indiferença, o nosso Conformismo.

O Conformismo prende-nos a alma, rouba-nos a coragem e não nos deixa respirar. Leva-nos tudo e não dos deixa sequer pensar, responder e, muito menos actuar. Tornamo-nos seres inúteis, inertes, que não se questionam nem questionam coisa nenhuma, que não acreditam em nada e que, por isso, são incapazes de lutar por coisa alguma. Porque, no fundo, estar deitado no sofá a navegar pelas infinitas redes sociais é o mais grandioso objectivo para começar, ou acabar, um fim-de-semana extraordinário. Acabamos conformados com tudo, tornamo-nos conformistas de profissão. Ficamos prisioneiros de nós mesmos sem saber o que poderíamos ser se o não fôssemos. É este o ser conformista em que nos vamos, lentamente, tornando, contra o qual devemos lutar todos os dias até ao final da nossa vida.

Tomar uma posição, defender um ponto de vista, lutar por aquilo que acreditamos ser o melhor para o nosso País e não para nós próprios, participar na vida política, são obrigações que todos devíamos partilhar, independentemente do nosso quadrante político, social ou religioso. É uma obrigação da nossa geração.

Kennedy dizia que o Conformismo era o carcereiro da Liberdade e o inimigo do Progresso. Eu, se vivesse mil anos, nunca diria melhor. Daqui a poucos anos vamos ser nós a herdar Portugal e vamos ter de ser nós a geri-lo e a guiá-lo no meio de tantas e tão grandes tempestades. Se hoje deixarmos que se faça tudo, se hoje não entrarmos no debate, se hoje não pusermos nada em causa, se hoje não fizermos valer a voz que os nossos pais nos deram então o amanhã será sombrio. E os únicos culpados seremos nós.

Manuel

http://agorapensamosjuntos.pt

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