Descartável
O que não se destina a conservar nem a consertar. O não utilizável. Descreve-se àquele que não pode continuar.
O inimigo é a luz. O melhor amigo é o lixo, onde encontra outros descartáveis. No escuro, vira útil. Na luz é um empecilho.
Descartáveis não podem dar trabalho. Descarta a possibilidade de ouvir. Descarta a possibilidade de sentir. Descarta a possibilidade de ser visível.
O invisível é o descartável. Não pode sentir, não pode rugir, não pode correr, não pode fluir. Descartado, foi assim que nasceu.
Levado para ser descartado, o descartável se sente só. Cada toque uma incerteza. Qual será seu destino final?
Das cinzas ressurge algo novo. Outro descarte, outra solidão. Movido por um patrão, o descartável não se expressa e não tem um padrão.
Manipulado a ser escravo, o descartável pede socorro em silêncio: me deixe livre, me deixe ser quem eu quero ser.
O descartável tem vontade de gritar, mas não pode. O descartável tem vontade de imaginar, mas não deve. O descartável tem vontade de brincar, mas atrapalha.
No fundo, o descartável só quer ajuda. Tem medo de escuro, mas é dele que vem o conforto. O descartável só quer um amigo: ele mesmo… livre.