SUÍCIDIO

Um tabu que é silencioso tanto para a sociedade, quanto para a vítima.

Maíra Bernardo e Fhabiana Credideu

13 reasons why

Os sinais de suicídio podem ser confundidos com sintomas da depressão, como ocorreu com a Hannah, interpretada pela atriz Katherine Langford, na série 13 reasons why. Normalmente essas pessoas remoem pensamentos obsessivamente e não conseguem parar de fazer isso, se sentem desesperançosas e não acreditam que haja outro modo de aliviar a dor que não inclua a morte, piora no desempenho escolar, perda de senso de perigo que faz o jovem se arriscar em atividades perigosas, frases como “queria desaparecer”, “vocês estariam melhores sem mim”. O melhor a se fazer é escutar a pessoa, acalmar ela ou buscar uma ajuda profissional. 
 No fim do 13º e último episódio, a Netflix exibe um documentário de 30 minutos com atores, produtores e psiquiatras alertando sobre os perigos e impactos psicológicos dos temas retratados na série. Também traz um link (13reasonswhy.info) no qual jovens que enfrentam problemas semelhantes podem buscar ajuda — no Brasil, os contatos do Centro de Valorização da Vida, o CVV, estão disponíveis. Além disso, no começo dos episódios com conteúdo mais forte como por exemplo, violência ou abuso sexual, uma mensagem é exibida recomendando a discrição do espectador antes.

Baleia Azul

No ano de 2017, um jogo chamado “Baleia Azul”, surgiu em uma rede social russa. O jogo faz com que os jogadores deem balas envenenadas à crianças pequenas, façam assistir filme de terror psicológico, ouvir músicas tristes, se cortar, até que no final o último desafio é se suicidar. A brincadeira, nada divertida, foi criada pelo russo Philipp Budeikin que no início fez 20 pessoas se matarem enquanto acompanhava, ele diz em uma entrevista que está limpando a sociedade e ainda diz que as pessoas estavam felizes em morrer. Um jogo que faz que a pessoa que é saudável e não tenha nenhum problema mental, no final fique com uma depressão tão profunda que quer se matar.

Dados

Estima-se que 800 mil pessoas se suicidam anualmente, ou seja, uma morte a cada 40 segundos, mas a taxa é de 1,4% em comparação a outros tipos de mortes. A maior taxa de suicídio é em países de rendas médias e baixas, chegando a 75% e apenas 28 países possuem estratégias de combate ao suicídio. A média global fica de 11,4, por 100 mil habitantes, sendo que 15 de 100 mil são homens e 8 de 100 mil mulheres, ou seja, homens se matam mais que mulheres.

Os jovens merecem cuidado redobrado, pois é na faixa etária entre 15 e 29 que encontramos os maiores índices de crescimento globais de suicídios, e a principal causa desses suicídios, é o bullying. Entre 1980 e 2012, houve um aumento de 90,41% no número de adolescentes no Brasil, passando de 1.523 para 2.900. Em comparação a outras faixas etárias, a diferença entre o percentual de jovens que morrem por causas violentas no país é gritante: 62,9% para brasileiros com idades entre 15 e 29 anos, e 8,1% para o restante. O suicídio segue o mesmo padrão, chegando a 3,7%, contra 0,7% nos outros segmentos.

Visão especialista

Conversamos com a psicóloga Izadora Faria, que assistiu a série. Ela relata que já atendeu pacientes que queriam se suicidar e que é um momento muito delicado que necessita ser “manuseado” com extrema calma e paciência. “Acho que pessoas que têm o princípio suicida não devem assistir a série e sim procurar um profissional, pois a série mostra exatamente como acontece a rotina de uma pessoa suicida. A Hannah não obteve ajuda e isso que devemos mudar: a falta de acompanhamento tanto dos pais, quanto de um profissional experiente”, concluiu Izadora.

Já em questão ao jogo “Baleia Azul”, Izadora diz que o jogo faz uma pessoa com nenhum problema grave como depressão, acabe se sujeitando a sua saúde mental, fazendo diversas atividades que estimula a pessoa se encaminhar para a depressão, fazendo assim ser muito “normal” para a pessoa se suicidar. “Nós devemos falar mais sobre suicídio, pois é uma doença silenciosa e que mata, tanto com uma pessoa já com princípios suicidas como na série “13 reasons why”, quanto estimulada no jogo “baleia azul” e se alguém ver que outra pessoa está passando por algum sintoma, ajude e principalmente procure um profissional adequado para auxiliar na melhora desta pessoa”, disse a doutora por fim.

13 Reasons Why na sociedade

A série 13 reasons why foi importante para a sociedade se assustar e quebrar este tabu que é o suicídio, logo quando a série estreou, teve um aumento de 445% de pessoas que buscaram ajuda, por terem se identificado com a protagonista Hannah Backer que se suicida na série, e não quererem ter o mesmo fim que ela. 
 Pensando nessa problemática e aproveitando o frenesi gerado pelo alerta e polêmico tema, várias universidades, se mobilizaram para realizar palestras cuidadosas e bem planejadas para chegar no coração e na mente dos jovens, como por exemplo, a Universidade de Belas Artes de São Paulo, que provocou um debate “Comunicação e Suicídio”.
 No twitter hashtag #nãosejaumporque teve 30,357 menções, #13reasonswhy teve 17,176,984 de menções, a hashtag não seja um porque tem um número menor pelo fato de ser uma ação apenas no Brasil, já da própria série podemos ver que é um número altíssimo. No youtube quando procuramos “13 reasons why”, nós obtemos aproximadamente 46.400.000 resultados de vídeos que falam sobre, quando procuramos “não seja um porque”, obtivemos 3.510.000 e “suicídio” obtivemos 1.190.000 resultados, ou seja, não é um grande dado que é compartilhado no youtube o suicídio, mas sim a série em si.

Baleia Azul na sociedade

Em março de 2017, as autoridades da Rússia estavam investigando aproximadamente 130 casos de suicídio relacionado ao jogo, mas nenhuma ação foi feita.

No Brasil, em resposta ao jogo, uma designer e uma publicitária de São Paulo criaram um movimento chamado Baleia Rosa, que se tornou um viral e contou com a colaboração de centenas de voluntários. 288.366 pessoas curtiram a página. O movimento é um jogo que a pessoa tem que fazer tarefas positivas, como por exemplo, ligue a música que você mais gosta e dance sozinha, ande de pés descalços na grama e descreva como você defenderia alguém que estivesse sofrendo bullying na sua frente.

O objetivo do jogo é fazer com que as pessoas se sintam feliz com a vida, mas também que ajude as outras pessoas que precisam desta ajuda e não conseguem combater ela sozinha.

O assunto também faz parte da novela das nove “A Força do Querer”, e a mídia também enfatizou que o fenômeno coincidiu com a controvérsia em torno da série “13 Reasons Why”.

Conclusão

O suicídio pode vir tanto numa brincadeira como a “Baleia azul”, quanto numa série como “13 reasons why”, ambas são diferentes pois o jogo faz com que a pessoa se sujeite a uma depressão e consequentemente a morte, e a série mostra de um jeito impactante como é a realidade de uma pessoa que se suicida, mas ambas possuem o mesmo tema: O suicídio. O aumento da taxa de suicídio comparada ao decorrer dos anos é bem evidente, e percebamos que isso só é um espelho do que a nossa sociedade é. Atualmente, nós nos faltamos com respeito e nem percebemos, quando paramos, olhamos e analisamos as pessoas se portando, vemos que não só reflete no suicídio, mas também em outros tipos de acidentes, como o de trânsito. A maior culpada é a sociedade.

Biliografia

Doutora Izadora Faria, consultório particular.

Baleia Rosa- https://www.facebook.com/eusoubaleiarosa/

Dados suicídio- http://www.prevencaosuicidio.blog.br/dados

Série 13 reasons why e documentário na netflix