Fogo de Palha, Lamparina de Querosene.

Quem nunca foi largada, com cara de idiota, no perfil do Whats App, que permaneça online. Não sou dessa geração que faz tudo tão rápido. Penso, antes. Mil vezes antes e depois, relutante, mando a mensagem que não queria mandar. A necessidade de dar uma resposta ( ou de obter uma resposta, dos aplicativos) me compele a errar. De que adianta, então, pensar? Adianta.

Em mundos virtuais, a sinapse corre solta. Frouxa e sem filtro ( a não ser o do Instagram). Aproximação, não existe. É: “- Cheguei, estou aqui!”, aquela mensagem — nem é pessoa — que você esperava, pipocou, numa coação virtual disfarçada de proximidade. É “real time” e eu tenho que dizer algo. Ou ignorar, “para sempre”, alguém, que acabei de conhecer (?). Sério? Que nada, nada sério.

Mas, a pressão é forte, e por que, afinal, eu não vou dar uma chance pra esse cara? “O papo foi ótimo!”. Ora, papos ótimos acontecem até na fila do cinema… e nem por isso entro com o tal cara para assistir à sessão. No máximo um sorrisinho :) e vou comprar a pipoca.

O que me chateia é essa espontaneidade forçada. Sou ranzinza. Metódica e cheia de manias. Mas amenizo. Quem irá querer trocar mensagens com alguém tão fechada e distante num primeiro — “Olá!”, tao alegrinho ;)

Aff, aff, aff. Onde foi parar a poesia, o desajeitado sofrer um pouquinho até ser correspondida no olhar? E os encontros? Nos dias da semana, sempre. “Que dia é bom pra você? Sexta? Shame!”, resposta eeeeeeeerrrradaaaa! Com exceção do sábado, à tarde, os fins de semana sumiram do calendário. Junto com o último “match” da semana. Fogo de palha. Sim, amigas ( e amigos), quem nunca foi largada, com cara de idiota, na foto do perfil do Whats App, que fique online.

Suma, pelo menos para o sujeito em questão, que dignidade é artigo raro hoje em dia, mas ainda se encontra. E, bem, o que fazer na era dos apps? Me sinto boba querendo me adaptar a essa nova geração que desliza, tão bem ( será?), por entre os smartphones, e brinca de aparecer e desaparecer… que nem luzes de natal, que já se aproximam.

Quanto a mim, quero uma lamparina, daquelas das casas das minhas tias, que eu acendia à noitinha, quando chegava o fim de tarde. Confiáveis elas, com seu chumaço de algodão e o querosene de cheiro forte.