Cura Pessoal — A dedicação.

No início, eu não sabia nada sobre psicologia, sobre transtorno de ansiedade, psicanálise, sobre padrões negativos, inconsciente coletivo… absolutamente nada. Eu era completamente leiga sobre o assunto. Com o passar do tempo, comecei a estudar por conta própria alguns pontos sobre psicologia, e principalmente, sobre mim e como poderia ajudar minha psicóloga a me compreender e como isso poderia me ajudar a melhorar.
A grande maioria das pessoas não se comunica ou se expressa plenamente da forma como deseja, e eu sou uma dessas pessoas. Um dos maiores problemas que tenho é a expressão. Eu tenho uma necessidade muito grande de expressar emoções e pensamentos, de comunicar certas coisas a pessoas específicas, embora consiga expressar algumas emoções e pensamentos, acabo me sentindo frustrada pois me sinto frequentemente mal compreendida, isso quando não acabo entrando em discussões. Eu cresci em um lar da qual, expressar emoções negativas era algo comum e contínuo, porém, eu era a única privada de expressá-las. Logo, cresci engolindo seco o sentimento negativo que mais me destrói hoje em dia: A raiva.
E me abrir e expressar da forma como queria era um tanto confuso. Eu sai de várias sessões com a minha psicóloga sentindo que havia falado tudo, e dizendo absolutamente nada. Embora eu saiba que ela é bastante profissional para tirar as informações que precisava, ainda sim sentia que poderia fazer mais. Que tinha coisas que talvez, relutasse em falar. Eu não estava sendo plenamente transparente sobre meus pensamentos e sentimentos com ela. Da mesma forma que não estava sendo transparente comigo. Foi quando percebi que dar continuidade sem interrupções nas sessões é importante, mas os frutos positivos delas você colhe mediante a uma dedicação. Você não está se dedicando ao seu psicólogo, está se dedicando a você mesmo.
Não se culpe se você um dia passar por isso, ou ainda passa pelo mesmo que eu. É realmente muito difícil se abrir e dizer tudo aquilo que sentimos, pensamos e fazemos a outra pessoa, principalmente se é um desconhecido. Por mais cientes de que o psicólogo a nossa frente é um profissional e que nos ouvir faz parte somente de seu trabalho, sabemos que ainda sim ele é um ser humano, e que talvez não estamos sendo plenamente claros pois temos receio em sermos julgados.
Quando me dei conta disso, me senti mal. Eu estava fazendo o que sempre fiz comigo. Eu estava mostrando os problemas, mas não a real essência do que sentia e pensava em relação a eles. O que me dificultava saber de onde eles surgiram. E eu não poderia continuar mais com aquilo, precisava quebrar esse padrão e achar uma forma de ser mais dedicada e transparente. Eu estava apenas desabafando e jogando meus problemas para outra pessoa ouvir, mas eu não estava me ouvindo, não estava sendo clara com ela, e não estava dizendo o que realmente queria dizer. Foi quando comecei a parar de ser acomodada no meu tratamento, e comecei a estudar o que eu tinha exatamente, como funcionava, e como poderia me ajudar.
Conversei com a minha psicóloga e contei sobre como eu queria ser mais clara e objetiva, e o que poderia fazer para conseguir isso. Para ela, a chave era eu conhecer para compreender e refletir para expressar. Durante as sessões, eu tinha pequenas aulas de psicologia, da qual eram apenas o fio inicial de um longo novelo de informações que buscava e continuo buscando fora das minhas sessões. Minha atual psicóloga me recomenda livros, procuro auxilio de outros tipos de terapia que possam complementar meu tratamento, e sempre que possível, tento fazer as coisas da qual ela me recomenda. Demorei muito a perceber isso, pois estava acomodada e ignorante ao que de fato estava acontecendo. Eu tinha vontade de melhorar, mas não estava trabalhando como deveria para isso. Talvez você não consiga ser dedicado no início, e está tudo bem. Cada um percebe as coisas no seu tempo, em seu ritmo. O que importa é compreender que quanto mais você se dedica a seu tratamento, a você mesmo, mais consciente você fica para lutar contra suas dores.
