Cura Pessoal — A importância de uma terapia alternativa: Como a filosofia e o pensamento positivo não deixaram eu me afogar.

Bel C.
Bel C.
Jul 30, 2017 · 4 min read

Obs: Isso é um desabafo e agradecimento sobre como o conhecimento pode te salvar e libertar.

Quando pensava em “terapia alternativa”, sempre me via em mente coisas como reiki, florais de bach, radiestesia entre outras coisas do reino holístico. E de fato, não deixam de ser terapias. Mas a minha primeira experiencia terapêutica, foi algo mais inesperado.
Em 2016, tive que parar com a minha terapia cognitiva, pois não tinha mais dinheiro para continuar as sessões. Durante algum tempo, tudo ficou bem, até que literalmente, eu parei.

Nessa época estava trabalhando e estudando produção para cinema, e 99% do meu tempo era focado em assumir uma posição da qual, toda a responsabilidade dos projetos caia nas minhas costas. Eu estava absolutamente feliz com a experiência de algo novo e desesperada ao mesmo tempo. Tive que assumir um lado meu que jamais quis desenvolver, tive que começar a aprender a liderar. E depois que meu curso e meu projeto temporário acabaram, eu também me acabei. Todos os sentimentos negativos que guardava saíram de uma vez. Luto, stress, cansaço, meu perfeccionismo trabalhando, a liderança da qual não “sentia” em mim, e principalmente, a solidão. Eu utilizei da correria do dia a dia, para ocupar minha mente e as dores que sentia.

Eu estava caminhando sozinha já nessa época. Não tinha mais o meu parceiro me apoiando, e sentia muita falta de alguém que me compreendesse, além de sentir falta da minha psicóloga. Tive minha primeira crise de ansiedade quando entrei de férias, e senti que estava voltando para estaca 0. Embora fizesse um tratamento com ótimos resultados, como mencionei nos textos anteriores, ainda havia muito de mim que precisava ser trabalhado.

Durante dois meses, dormi e acordei com duas vozes. Uma, acabava comigo a todo o momento, e misteriosamente, outra surgia e me dizia coisas maravilhosas, da qual nunca tinha ouvido. Era como se uma voz me afogasse, e a outra me resgatasse, e isso era um ciclo diário e constante, todos os dias uma me empurrava e a outra me puxava. Mas pela primeira vez, eu tinha uma voz dentro de mim que mostrava coisas boas da qual nunca havia enxergado, coisa que antigamente, não existia. Só havia espaço anteriormente para a voz que me afogava.

Após dois meses de uma pura guerra civil mental e emocional, eu me acalmei. E a voz positiva começou a falar mais alto.

Eu queria voltar novamente a meu tratamento, mas não sabia como. Foi quando decidi que naquele resto de ano, eu faria algo terapêutico, mas que não envolvesse psicoterapia, pois meu financeiro estava abalado ainda. Decidi fazer meditação, e foi em uma academia de filosofia próxima da minha casa, que ministrava aulas gratuitas, que passei seis meses maravilhosos me sentindo pela primeira vez, em paz. Fui convidada em uma aula de meditação, a assistir o novo curso de filosofia que estava sendo iniciado, e naquele momento nasceu a minha terceira paixão. Na verdade, naquele momento tive a oportunidade de trabalhar uma paixão que já existia, e eu simplesmente não lembrava. E depois de um tempo eu me recordei dela: Aos 15 anos tive a primeira aula de filosofia (decente) que mudaria tudo. Meu professor do ensino médio havia dado uma aula sobre a sociedade do espetáculo, da mesma forma que Aristóteles fazia, ensinando ao ar livre. Nesse dia, nessa aula, eu sai completamente inspirada. E senti isso novamente após 7 anos, em minha primeira aula na academia de filosofia.

E enquanto estudava filosofia apaixonadamente, me veio uma pergunta: Porque eu não havia feito isso antes? Porque eu deixei o que me inspirava de lado?
E a resposta veio: Porquê eu havia esquecido de mim.

Eu deixei que outras coisas fossem sempre mais importantes que os desejos que tinha. Deixei que pessoas, e o que me diziam fossem mais importantes. Desejos bobos como aprender a cantar, ser pintora, na verdade, eram sonhos. Pois sempre foram coisas que me inspiravam e eu simplesmente ignorei. Eu virei adulta e deixei que o dinheiro e as obrigações me limitassem. Deixei que o famoso “você precisa ter uma carreira ou um emprego que de dinheiro”, fosse sempre mais importante e tomasse 100% do meu tempo. Embora eu amasse cinema, meu mundo não girava só em torno dele. Embora eu tivesse um segundo emprego financeiramente confortável (que não gostava pois é fora da minha área de atuação), isso também não me bastava. Eu não me sentia “eu” trabalhando nele.

Todo o aprendizado daquelas aulas de filosofia, foram recebidas com muito amor e serenidade. Eu dormia e acordava em paz com o mundo e comigo. E escrevendo sobre isso e comparando como me sinto agora, nem eu acredito que vivenciei essa paz. Até que infelizmente, tive que parar meu curso devido a conflitos com meu horário de trabalho. E isso partiu meu coração.

Esse ano, retornei novamente a uma outra psicóloga, dessa vez com atendimento gratuito. E hoje concilio não só minha psicoterapia, como outras terapias alternativas, como minhas aulas de canto, e a escrita, como nesse texto da qual está lendo. Você talvez nem imagine, mas é libertador fazer algo que sempre quis fazer e nunca fez, e o quanto isso é realmente terapêutico. Concilie a psicoterapia com algo mais, sempre que possível.

Mexa na sua caixa de lembranças e pense: O que eu sempre quis fazer?

Bel C.

Bel C.

Produtora mirim de cinema, semi turismóloga, eterna estudante, faz aulas de canto quando não está ocupada jogando e lendo livros de psicologia.

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