Cura Pessoal — Por quê ir em busca de um psicólogo?

Não lembro exatamente quando, mas em torno dos 13 aos 15 anos, tive uma tentativa fracassada de solicitar apoio psicológico. Naquela época foi muito complicado ter apoio, e inclusive permissão de ir a um psicólogo, pois o que eu tinha era “drama”, além de que a ideia de frequentar um psicólogo soou como uma ofensa absurda a minha família. Acreditavam que admitir e aceitar que eu precisava de ajuda psicológica, incluía o fato de uma provável “falha” no método de criação e convívio familiar. Eu ir a um psicólogo claramente, era além de drama uma forma de crítica ou ameaça.
Passado todo esse complexo drama familiar, finalmente consegui “permissão”. Apoio jamais tive, mas consegui agendar uma data, porém com uma restrição. Meu convênio médico exigia que primeiro, eu deveria ser encaminhada ao psiquiatra para que o mesmo depois me liberasse ao psicólogo. Fui sem questionar. E tive uma das piores formas de atendimento médico da minha vida, da qual, foi uma experiência tão humilhante que desisti da ideia de ir ao psicólogo. Aplaquei o meu “drama”, o psiquiatra não me liberou, e a experiência foi tão ruim que desisti durante os anos seguintes da ideia de frequentar um. E isso foi uma péssima escolha, pois convivi em silêncio durante os anos seguintes com um transtorno de ansiedade generalizada, da qual simplesmente ninguém nunca notou, da qual ninguém nunca percebeu. Eu só viria a descobrir o que tinha no meio do ano de 2015, aos 21 anos.
A segunda vez que decidi ir a um psicólogo, eu estava mais decidida do que antes. Pesquisei um profissional adequado e de confiança para fazer o tratamento no particular, e eu havia um motivo mais firme. O motivo talvez, não fosso o mais correto, mas decidi que deveria ir pois eu precisava salvar um relacionamento. Havia um turbilhão de pensamentos e uma crise de identidade que me rondavam todos os dias, além de uma imensa insegurança. Eu achava que se continuasse “tóxica” mentalmente e emocionalmente como estava, acabaria estragando uma relação que era muito importante. No fim, a relação acabou, mas um longo processo de “cura” se iniciou. Um processo da qual na medida do possível, pretendo relatar aqui.
O primeiro motivo que me levou na adolescência a procurar ajuda, foi as crises constantes de choro da qual tinha silenciosamente em meu quarto. Eu me sentia um peso morto, não me sentia eu, além de viver com medo constante de escolhas. Isso tudo parece pensamentos básicos, que na verdade, todas as pessoas em um determinado momento da vida acabam pensando e se deixando sentir. O que de fato me incomodava nessas sensações e pensamentos, era porque todo dia eu me sentia assim, sem razão aparente. E principalmente, até que ponto me sentir assim todos os dias era “normal”? Até quando é “normal” sentar e chorar todos os dias por me sentir incapaz de fazer as coisas “direito”?
A resposta era clara: Não era normal. Não da forma como acontecia. Eu deixei que o medo, a insegurança, a timidez, a paranóia e uma imensa baixa estima não desenvolvessem o meu potencial. E pior que não desenvolver, era o fato de simplesmente eu não saber o meu potencial.
Meus motivos embora firmes ou não, tinham uma pequena falha. Eles não eram claros. Tudo que eu tinha certeza, era que nas duas tentativas da qual procurei ajuda era que:
1- Eu não estava bem.
2- Que talvez aquilo não fosse normal.
3- Se eu não estava bem, e tudo que sentia e pensava não era normal, isso significava que eu deveria consertar isso para não deixar que essa “toxina” minha invadisse ou afetasse pessoas ao meu redor.
E admito que no inicio da minha segunda tentativa, eu me questionei várias vezes se não estava louca. Se tudo que eu sentia não era uma frescura. Se eu realmente precisava daquela ajuda. E sim, eu precisava muito.
A parte mais importante do que um motivo, é você não diminuir o que está sentindo e o que está passando. Provavelmente, algumas pessoas ao seu redor vão te tratar dessa forma. Se isso acontecer, não brigue com elas e nem as culpe pelo que dizem ou fazem. Apenas ignore e foque em você. Se você não se sente bem, e isso afeta sua qualidade de vida, procure ajuda.
Não desmereça o que você sente e nem o que pensa e o que está passando. Cada um tem seus motivos, e nenhum deles é fútil. Independente do motivo, o essencial é você começar a entender primeiro, o que está acontecendo com você.
