Construindo a Maturidade Familiar

O desejo de toda pessoa de bem, seja ela cristã ou não, é viver num mundo novo. Principalmente quando vê o noticiário que nos mostra a barbárie que reina em nossa sociedade que sofre de cânceres: violência, indiferença, corrupção, fome, prostituição, drogas. Queremos a cura. Queremos uma sociedade nova.

“Não vos lembreis mais dos acontecimentos de outrora, não recordeis mais as coisas antigas, porque eis que vou fazer obra nova, a qual já surge: não a vedes? Vou abrir uma via pelo deserto, e fazer correr arroios pela estepe” Isaias 43,18–19

Todos nós sonhamos um mundo novo, viver essa Obra Nova que o Senhor prometeu. É uma obra em curso, “a qual já surge: não a vedes?”. As fundações foram lançadas e a estrutura desta obra esta sendo construída. A base, o que tudo sustenta, é o amor de Cristo pela Sua Igreja. Os pilares desta obra são as famílias.

O escritor Rui Barbosa foi muito sábio ao afirmar que a família é célula mãe da sociedade. É nela que todo ser humano aprende a trabalhar as diferenças entre os sexos, entre as gerações, aprende a lidar com autoridade e responsabilidade. Sendo câncer o crescimento desordenado de células doentes, podemos concluir que a origem e a solução dos cânceres da sociedade estão na família.Se a família é a célula mãe, o casal é o núcleo desta célula. Ou seja, o elemento que Deus quer usar para completar esta obra começada.

É diante desta realidade que Moyses Azevedo, fundador da comunidade Shalom nos alertou que “só haverá um mundo novo se houver famílias novas. Só haverá famílias novas de houver casais novos”. A formação de um casal, ao contrário do que se imagina, começa antes do namoro, na formação individual. Feridas da infância, no relacionamento com os pais e na forma de conhecer e lidar com o sexo oposto precisam ser tratadas.

Por vezes, repetimos os padrões programados em nossas famílias às gerações. Repetimos inconscientemente os erros que nossos pais repetiram de nossos avós. É fundamental que a pessoa já esteja trilhando um caminho de cura da própria história antes de iniciar um namoro. Mas sempre é tempo de buscar essa cura, mesmo que o leitor já tenha celebrado suas bodas de ouro.

“É próprio de todo o ser vivo tender para outra realidade, e esta tendência reveste-se sempre de sinais afetivos basilares: prazer ou sofrimento, alegria ou tristeza, ternura ou receio. São o pressuposto da atividade psicológica mais elementar. O ser humano é um vivente desta terra, e tudo o que faz e busca está carregado de paixões.” Amoris Laetitia #143

É papel dos pais desenvolver a inteligência emocional desde a infância dos filhos. A pessoa precisa saber entender e respeitar os seus sentimentos e o sentimento do outro . E esta consciência é importante na juventude onde se planta muito do que será colhido na futura vida familiar. A vida matrimonial é uma verdadeira arte que se aprende em tempos calmos, para se pôr em prática nos tempos de tormenta.

Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. João 15,10–11

A castidade na juventude é um treinamento para a castidade no matrimonio. Para que a alegria do casal seja completa mesmo que alguma doença impeça o ato conjugal temporariamente. Alegria completa mesmo depois da menopausa. E quando falo em castidade não falo apenas em abstinência de sexo, mas de todo um comportamento que inclui as roupas, as conversas, a internet, o whatsapp e por aí vai. A falta de castidade dentro dos lares, que deixa uma janela aberta para a pornografia disfarçada nos reality shows, livros, revistas, filmes e músicas podem gerar graves problemas à estas famílias e às futuras gerações.

Também é fundamental entender e aprender a respeitar o papel de cada cônjuge na família. “O homem é a mais elevada das criaturas . A mulher é o mais sublime dos ideais. O homem é o cérebro; A mulher é o coração”. O desequilíbrio nesta relação que Vitor Hugo tão bem descreve, tem sido também motivo de desgaste em inúmeras famílias. Esse entendimento e aprendizado é parte da arte que se aprende em momentos tranquilos, quando o rapazinho procura tratar a mocinha com dignidade e a moça se deixa cuidar e se dá ao respeito.

Por fim, é necessário desenvolver a capacidade de diálogo permeado pela oração familiar. Será vital a comunicação de coração a coração para vencer as crises que virão e são inerentes à vida familiar. Será necessária uma forte inclinação a perdoar e pedir perdão. Sem essa dinâmica, em pouco tempo, o amor de sua vida se torna um estranho no interior de sua casa. A oração familiar tem que fazer parte do carisma da família, desde os tempos de namoro.

Um relacionamento novo e maduro é parte do plano de salvação da humanidade e do sonho de Deus para você. A divina providência te trará, no momento certo, o seu José ou a sua Maria; desde que você permita a ação dela em sua vida.

Com carinho e orações,

Marcelo Monteiro
 04/06/2016

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