Diário de um dia.

Tem dia que é foda. Com o perdão da expressão, mas não encontro outra que expresse com tanta singularidade e força o quão duro um dia pode ser. Tem dia que você perde a hora. Acordou doente. O ônibus passou 7 segundos antes de você chegar ao ponto. Bateram no seu carro. Você pisou na poça. Perdeu a chave de casa. Esqueceu algo do trabalho lá. Parece que tudo tá dando errado. E ainda são 9 da manhã. Aquela sensação de seria melhor ter ficado na cama hoje.

Nesses dias é difícil manter a calma. Aliás, o som de alguém te mandando ter calma arranha o tímpano e é aí que você perde ela de vez. Nessas horas, tentamos nos agarrar a qualquer coisa. Existe gente pior. Existe gente que sofre mais que eu. Eu deveria agradecer. Mas não adianta, por mais que saibamos de tudo isso, parece que nossa dor sempre é maior. E é fácil se culpar: até aquela prova de geografia que você não estudou em 2005 parece agora que teria feito diferença.

Somos humanos afinal. E ser humano é sofrer com um inimigo que vive dentro de você. Mas também é, e talvez essa seja a beleza de nossa espécie, por mais pessimista que se possa ser (o que vos fala) ter sempre aquela pontinha na chama viva da esperança. Existem dias melhores.

Dias de riso frouxe. Dias sem preocupação. Dias de passeios, de abraços, de festas. Dias em que o tempo parece se desligar e o mundo parece não importar mais por algumas horas.

E são esses dias que fazem todos os outros valerem a pena.

Mas tem dia que é foda.