A Brancura do Coco

Por Marcio André dos Santos. 21 de outubro de 2013.

Ficou ali, olhando atentamente, avidamente a brancura daquela carne. Seus lábios salivavam. Era sede, era fome, era uma vontade louca de morder, de tocar, de se lambuzar inteiro ali. Entretanto, um pensamento baixou-lhe dos céus: “mas isso é quase um pecado e um dos mais capitais!! Prometi que não faria mais isso. Nunquinha, nunca mais”.

Ao mesmo tempo em que mentalizava formas de subverter aquele desejo, seus olhos continuavam grudados na doçura que seria mergulhar ali naquele mar de mel, sem pressa de acabar, medindo o tempo, rezando para que aquele momento se eternizasse. “Não!” Disse finalmente. “Não farei isso. É gula demais. Preciso me controlar”.

Deu às costas e andou uns cinco metros quando uma coisa, uma força, maior e muito mais determinada o desequilibrou na corda bamba da vida e o trouxe de volta para perto daquela pele branca, branquíssima, nua, um paraíso libidinoso, libidinável!

Vestiu-se em coragens e pediu finalmente: “Moço, pode cortar o coco ao meio, por favor. Decidi comer. Dane-se a dieta”. Comeu na vagareza da lesma, limpou os lábios, saciou-se. Foi embora sem culpa quando num relance passa uma pretinha, linda linda linda, praticando cooper, cabelão black, batom azul… No rosto cravaram-lhe todos os risos e fiquei ali contemplando a passagem do arco-íris feito mulher. No meu pensamento nem lembro quais cores haviam… Amarelo, lilás, verde piscina? Quem sabe todas as cores naquela delícia de coco?

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