Meu pote de ouro

A tempestade estava mais barulhenta que nunca,e ainda assim,conseguia ouvir meu coração bater forte esperando por você.
Que tolo.
Durante anos aqui, esperando.
Durante anos ai, superando.
Perdi as contas de quantas vezes você seguiu em frente, assim como perdi a conta de bocas que colecionava para tentar esquecer você.
A luz da balada me cegava — ou talvez era o efeito da sétima bebida, quem sabe, oitava — mas ainda assim, seu nome ecoava em minha mente sendo mais forte que o poder do álcool.
Sinto muito por você.
Se perdeu no mundo de ilusão que criou.
Não me diga que não te conheço. É apenas uma desculpa para que eu não acabe com esse mundo fictício onde consegue amar.
Sinto muito por nós.
Deveríamos ter sido mais.
Nós fomos mais. Por um tempo.
Sinto muito por mim.
Que precisei de anos, corações quebrados e horas chorando numa festa para perceber que você não é mais real.
Pelo menos, não esse que criaste um mundo imaginário por conta do orgulho.
Esse bendito orgulho.
A tempestade passou, e levou consigo essa enxurrada de lagrimas que colecionei antes de dormir.
Eu havia virado uma colecionadora.
De lágrimas.
De corações partidos.
De lembranças e saudades.
Junto ao sol veio a esperança.
De felicidade.
De novidades.
De alguém.
Obrigada tempestade, você regou um jardim que estava morto.
Obrigada sol, você trouxe a regeneração de flores que estão prontas para florir.
Obrigada você, por ter feito meu jardim crescer.
Obrigada você, por te-lo feito morrer.
Obrigada você, que me mostrou num momento de raiva que eramos algo e hoje, não somos nada.
Obrigada você, por me libertar desse sentimento que havia me mantido presa dentro de mim mesma quando havia um mundo gigante de sentimentos para serem explorados.
Obrigada a mim, que me deixo seguir em frente. Entre obstáculos e memórias,para achar no fim do arco-íris,o meu pote de ouro.
