Calor

parece que aí o dia amanheceu chovendo e frio. 17°C. na televisão, que ouço distante, estão falando da frente fria que finalmente chegou. aqui mal são 7:30 e lá se vai a sensação térmica de mais de trinta. como os autores do romantismo (será esse mesmo?), é como se o tempo refletisse o que se passa no mais íntimo de mim.

não lembro como dormi, só sei que falava com alguém e acordei hoje com o rosto amassado e encarando uma tela já apagada e sem bateria.

por mim, passaria o dia inteiro entre os lençóis, não tenho compromissos inadiáveis ou um outro alguém para encontrar (talvez, só um auto-encontro). ainda assim, acordei.

meu peito arde como se quisesse se abrir ao meio (aqueles desenhos de crianças de como é um coração partido é das melhores imagens que posso oferecer). como se o sol imenso lá fora, que todos os dias me acorda, hoje tivesse resolvido me acordar estando dentro de mim. queima, dói e só para de subir porque encontrou dois rios (não tão simétricos) que também resolveram me dar um “alô”. obrigada, queridos, agora meu travesseiro está todo molhado. ainda bem que hoje é dia de pôr para lavar.

há muito sei que a dor, em mim, é sempre física. meu corpo, que tudo sente, faz questão de materializar sentimentos. hoje meus braços só ficam bem em volta de mim, minhas pernas pesam — talvez para dizer que preciso estar no presente, e os lugares onde seu toque arrepiava só buscam carinhos para adormecer.

pode ser que seja só o calor abafado desse quarto, melhor sair. hoje é dia de por a roupa para lavar.

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