POR QUE EU JÁ SOU ALGUÉM?

Parei pra falar umas coisas sem pé nem cabeça. Típico de uma jovem em plena ovulação, você sabe. Refleti sobre a enfermidade da vida, sobre a importância dos encontros e como somos imediatistas com nossos sonhos. Até denunciei minhas próprias distrações que me tiram do eixo e me impedem de crescer. Bendito celular que me desconecta daquilo que sou. Ou melhor, daquilo que quero ser. Não sei se meu raciocínio vai se sincronizar em algum momento desse parágrafo mas não tem jeito melhor de começá-lo sendo transparente com meu monólogo interior.

É isso mesmo que eu me pergunto: o que eu to fazendo aqui? Por que eu quero tanto escrever? O que faz eu pertencer a mim mesma? Ai que chata! Bom, não tenho medo de desagradar pois sendo um possível monólogo ao qual eu sei que vou me justificar, justificar e justificar pra comunicar o que eu sinto, há muito movimento para meus dedos se exercitarem nesse teclado.

Ai tá bom, acho que já deu pra entender que eu to tentando falar de mim mesma, do espaço que estou ocupando nesse momento e do papel que tenho no mundo. Será que deu pra entender?

Se não tá fazendo nenhum sentido estou cumprindo minha missão do momento! Mas de qual espaço que ocupo que estou me referindo? Todos! Todos porque não ocupo uma coisa só, não tenho apenas um sonho e não almejo um único tipo de existência. Todos porque um dia me disseram que a vida é feita de escolhas e que em algum momento teria que escolher algum caminho…Mas e se eu quiser vários?

Mia Couto, escritor moçambicano, me disse hoje que a melhor coisa que fazemos para nós mesmos é nos desapegarmos das definições que nos aprisionam: somos vários, nascemos e morremos a todo instante. Estamos imersos no grande universo do “não saber” e a cada dia se constrói e desconstrói uma parte de nós.

Viver nesse mundo de não ter certezas nos faz enxergarmos a vida de uma maneira não tanto específica: é aquela certeza de que não há certeza mesmo tendo plena certeza de que se há vida nós ainda existimos. Correto?

Mas ora bolas, hoje mesmo me perguntaram por que eu escolhi pedagogia dentre todas as outras opções — vistas como melhores — , o que eu vou ganhar com isso, quem eu quero ser? Depois de toda essa divagação, como eu respondo esse ser humano? Ah, é fácil vai: eu escolhi porque eu quis, ponto.

Enganado foi este que acreditou na minha resposta. Eu menti. Não menti, vai! Só ocultei toda a história que há por trás das minhas escolhas. Nós somos craques nisso, né? Deixar no tapete toda história que define o que somos. Mas então por que somos?

Olha, pra responder essa questão esse meu monólogo duraria mais umas boas linhas e provavelmente não teria fim. Mas me contaram um dia aí que existem muitos médicos, engenheiros, jornalistas, professores (e por aí vai) que são tudo aquilo que estudaram. E que bom que eles existem, né?

Por enquanto eu só sei (eu quase sei), que meu nome registrado é Marcela, minha idade escrita no RG é 20 anos mas que hoje eu tive 60 anos no café da manhã, 22 anos na parte da tarde e 6 anos no pôr do sol. Isso não é ser alguém?

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