Eu nasci no Rio grande do Sul em uma colônia alemã, você já pode imaginar, sim não existiam negros lá, minha referência negra era a Whoopi Goldberg porque a vi na tv, eis que com 4 anos fomos viajar para o Rio de Janeiro, mesmo muito criança ainda lembro bem de uma situação muito parecida, pela primeira vez vi uma moça de cabelo rastafari, cutuquei minha mãe e apontei para moça dizendo admirada: “Mãe olha aquela mulher com cabelos de cobra” rs ela sorriu pra mim, muito orgulhosa de seus cabelos, meus pais ficaram com certeza constrangidos, porque afinal eu disse que ela tinha cabelos de cobra, não sei o que isso poderia parecer, e então meu pai disse que isso se chamava rastafari, tanto eles quanto ela entenderam o meu pensamento infantil em ver todas aquelas lindas trancinhas juntas, no fim todos riram de mim e da minha admiração. Assim como esse menino eu também ainda não tinha tido contato com a diversidade, talvez seja por isso que tenha me marcado tanto e ficado na lembrança. Amo os cachinhos, e toda vez que escuto uma história de alguém que os libertou fico super contente pois sei que essa libertação é mais profunda do simplesmente deixar os cachos livres, seus cabelos são maravilhosos. Um beijo.
Cabelo, identidade e crianças sorrindo
Stephanie Borges
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