A História dos Chatbots

Marcel Ayres
Nov 1, 2018 · 5 min read

Você sabe o que são e como surgiram os chatbots?

Ao contrário do que muitos acreditam, os robôs de conversação (chatbots) não são uma novidade exclusiva do século XXI. Na década de 1950, o artigo “Computing Machinery and Intelligence,” publicado por Alan Turing, ganhou notoriedade por apresentar uma questão “seriam as máquinas capazes de pensar?”.

Para responder esta pergunta, Turing criou um método para verificar a capacidade de uma máquina de se comportar de forma equivalente a um ser-humano. Este método, popularmente chamado de Teste de Turing (ou Jogo da Imitação), tornou-se um estopim para os primeiros experimentos de chatbots desenvolvidos no campo acadêmico incialmente.

Para entender como os chatbots foram evoluindo ao longo dos anos, mapeamos os principais projetos de robôs de conversação nos últimos 50 anos.

ELIZA (1964–1966)

Considerado por muitos estudiosos como o primeiro software de simulação de diálogos, ELIZA foi uma iniciativa do laboratório de Inteligência Artificial da MIT. Sua ideia básica era simular uma conversa entre um humano e uma máquina. Para isso, ELIZA foi programada para desempenhar o papel de uma psicóloga, enquanto os usuários humanos seriam pacientes. Sua lógica de interação era baseada em um script o qual realizava perguntas para os usuários e, a depender das respostas dada (se estivessem em sua base de dados), ELIZA as respondia.

PARRY (1972)

Enquanto ELIZA era considerada uma simulação irônica de um terapeuta, PARRY, um chatbot desenvolvido em 1972 na Universidade de Stanford, foi além e buscou simular uma pessoa com esquizofrenia paranóica. Para isso, no script de interação de PARRY foram programados linhas de comportamento que simulavam com mais profundidade um diálogo, não apenas baseado em perguntas e respostas, mas de forma um pouco mais fluida. Em um teste com psiquiatras, os quais viram transcrições de conversas de pacientes humanos e de PARRY, em 48% dos casos os participantes acertaram se as falas eram de pessoas ou do robô. Outro episódio interessante foi quando, ainda em 1972, no início dos experimentos com a ARPANET (rede que antecedeu a Internet) pesquisadores colocaram ELIZA (chamada de The Doctor) para conversar com PARRY. Imagina só este papo?

JABBERWACKY (1988)

O objetivo deste chatbot seria simular uma conversa descontraída em um tom bem-humorado. Uma das primeiras tentativas de criar uma Inteligência Artificial através da interação humana. Ou seja, Jabberwacky não tinha uma função específica, a intenção de seus criadores era fazer um robô de conversação capaz de passar no Teste de Turing. Confira clique aqui.

DR. SBAITSO (1992)

Foi um programa de síntese de fala de inteligência artificial lançado em 1992 pela Creative Labs para rodar em MS-DOS. Também simulava um psicólogo, assim como ELIZA, mas era capaz de “falar” (ainda de forma pouco humanizada) as frases que estavam programadas em seu script.

A.L.I.C.E. (1995)

Significa Artificial Linguistic Internet Computer Entity, também conhecida como Alicebot. Foi um chatbot de processamento de linguagem natural. Ou seja, o software ALICE era capaz de se envolver em uma conversa humana e usar algumas regras heurísticas de correspondência para poder interagir de forma mais “humana” e menos roteirizada. Mesmo com este avanço, ALICE não conseguiu passar no Teste de Turing, exibindo falhas em conversações curtas. Saiba mais.

SMARTERCHILD (2001)

Foi um chatbot desenvolvido pela ActiveBuddyInc. e que logo se incorporou em um Instant Messenger famoso na época o AOL Instant Messenger (AIM). SmarterChild era um chatbot que surgiu, inicialmente, como um jogo de perguntas e respostas sobre temas diversos e que, depois, foi ampliado para se tronar um chat capaz se responder perguntas sobre resultados de jogos/esportes, notícias, horários de cinema, previsão do tempo, informações sobre ações, uma série de assuntos que poderiam ser de interesse do usuário. O sucesso foi tão grande que SmarterChild foi usado em campanhas de marketing para a banda Radiohead, Austin powers, Intel e outros. Esta iniciativa se tornou base para os assistentes pessoais que conhecemos hoje em dia.

IBM WATSON(2006)

Com o avanço da internet e da capacidade de processamento de dados na computação, eis que surge o supercomputador da IBM. O Watson, através de métodos como o processamento de linguagem natural (PLN) e o aprendizado de máquina (Machine Learning), é capaz de coletar, armazenar e cruzar um volume gigantesco de dados (conceituado como Big Data), permitindo a geração de insights e a identificação de diversos padrões de comportamento humano. Atualmente, diversos softwares e empresas estão se conectando ao Watson, utilizando-o como uma “plataforma de cognição” para acessar dados em larga escala e, a partir dos aprendizados, utilizá-los para diferentes finalidades (atendimento, vendas, informação, pesquisa etc.). Conheça o Watson.

SIRI (2010)

A Siri é a assistente pessoal criada pela Apple para rodar no seu sistema operacional iOS e auxiliar usuários que possuem seus dispositivos (Ex.: Macbooks, Iphone, Ipad, HomePod etc.). Seu funcionamento é baseado no processamento de linguagem natural por meio de comandos de voz e, a partir destes “gatilhos”, oferece respostas baseadas em informações que acessa no banco de dados do usuário (armazenados em seus dispositivos e aplicativos) ou através de serviços na internet.

GOOGLE NOW (2012)

Assistente pessoal criado pelo Google para rodar, inicialmente, na sua rede de pesquisa através de aplicativos móveis. Hoje, é chamado de Google Assistant e está presente em diversos dispositivos (ex.: smartphones, Google Home etc.). O assistente do Google se conecta a apps e serviços baseados em web, como, por exemplo, Spotfy, Netflix, YouTube, entre outros. Recentemente, lançaram um vídeo sobre a tecnologia que estão desenvolvendo para deixar seu assistente ainda mais “humanizado” em interações com humanos. Confira, abaixo, o vídeo do Google Duplex:

ALEXA / CORTANA (2015)

Em 2015, a Amazon e a Microsoft lançam seus assistentes pessoais seguindo a onda das Big Tehcs. Alexa (Amazon) e Cortana (Microsoft) também utilizam processamento de linguagem natural (PNL) para reconhecer e responder as perguntas dos usuários. Um diferencial da Alexa é a integração com a Amazon, auxiliando seus usuários em compras. Já Cortana, utiliza a base de dados do Bing Search e outros serviços baseados em web.

BOTS FOR MESSENGER (2016, 2017, 2018 … )

Em 2016, o Facebook lança a plataforma Messenger que permite que desenvolvedores criem chatbots para interagir com usuários da mídia social. Em agosto de 2018, liberaram também a API do WhatsApp Business para a integração de bots conversacionais neste que é o maior Instante Messenger Mobile do mundo, com mais de 1,5 bilhões de usuários no mundo e 120 milhões de usuários só no Brasil. Estes bots criam oportunidades enormes para empresas de diversos portes que querem automatizar e personalizar o relacionamento/atendimento a clientes em meios digitais. Saiba mais.

Marcel Ayres

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Doutorando em Cultura Digital (UFBA). Pesquisador em Interações Sociais e Tecnologias Digitais (GITS). Consultor e Professor de Comunição e Marketing Digital.