
Confusão interna de um dia qualquer
É madrugada de uma terça-feira qualquer. Faz frio e eu tenho dificuldade para aquecer os pés na cama. Incomoda saber que em menos de uma hora preciso acordar e aqueles dedos gelados não me deixam pegar no sono. Não são só os pés o motivo do incômodo. Minha cabeça parece escrever longos textos sem muito nexo enquanto tento dormir. Engraçado. Costumo “desmaiar” sem nenhuma interrupção. Mas não tem sido tão simples assim de algumas semanas para cá. O cansaço físico me esgota, enquanto o cansaço mental me acelera. Já sentiram essa contraditória sensação de exaustão e inquietação? Quando seu corpo quer horizontalizar, mas sua cabeça atravessa tudo: qualquer coisa é motivo para uma profunda confusão interna.
É manhã de uma terça-feira qualquer. Meus pés já estão mais aquecidos, vestidos com duas meias, e o sol já me faz queimar dentro da lã. Incomoda saber que preciso emendar um trabalho no outro sem tomar café. Não é só a falta de café o motivo do incômodo. Minha cabeça parece possuir dois insistentes e marrentos lutadores brigando por espaço. Frustante. Há alguns anos eu me concentrava por horas numa mesma tarefa sem qualquer desvio de atenção. Hoje tudo é distração.
É tarde de terça-feira, já não mais uma terça-feira qualquer. Num mesmo dia já tive tantas reflexões que não posso mais subestimá-lo. Não me incomoda saber que tenho mais alguns itens para dar conta na agenda antes do ponteiro chegar às 18h. Alguém parece ter desistido da briga dentro da minha cabeça. Aliviante. Há algumas horas não conseguia relaxar, agora já consigo organizar melhor as ideias.
Mas é noite de terça-feira. Faz frio e meus pés gelados anunciam que lá vem uma quarta-feira qualquer.
