Democracia e Novas Tecnologias

Todos os dias os principais jornais do mundo trazem notícias e colunas de opinião sobre o avanço das tecnologias. No ano passado muito se falou sobre a programação de carros automáticos, este ano surge o espanto com as bonecas sexuais.

Fato é que o avanço dessas tecnologias, como prefigura a série Black Mirror, causa constrangimento, incômodo e um certo desespero quando pensamos que este futuro está muito próximo. Um dilema porém urge, a possibilidade de transparência total.

Faz parte da individualidade o segredo, aquelas partes que são só suas, os comportamentos que se tem quando está sozinho, sem ser observado. O direito a resguardar seu passado, a possibilidade de recomeçar.

Mas e quando estes avanços promovem a verdade total? O desnudamento do pessoal? Não falo apenas do roubo de dados, a memória de sites de busca como o google, mas de todo o aparato que nos envolve diariamente.

Por isso, segundo as teorias sobre poder podemos falar de uma sociedade de controle. Ao optar voluntariamente a usar um dispositivo móvel, se inscrever em uma rede social, escolhemos doar nossas informações.

Até aqui nada de novo. Mas e quando somos expostos? Esta exposição não se refere apenas à vida pessoal dos indivíduos, mas atualmente os Estados estão organizando sistemas de dados com transparência total.

A pergunta é: essa pretensa moralidade da transparência é saudável para a democracia?

Certamente, não defendo o obscurantismo ou os acordos velados. Mas a possibilidade de transparência total implica em refletir sobre a necessidade social da mentira, dos comportamentos obtusos próprios dos acordos.

E você o que acha disso?