tem dias que eu fico meio trancada. dias que acorda em mim a menina que não quer dizer que não. a menina que quer agradar. a menina que sorri pra estranho de um jeito indefeso. a menina que se deixa por último e trai sua intuição, seu instinto.
tem dias que me pesa assumir que sou inteira. agir conforme pulsa meu coração requer até mesmo romper algumas relações. tem dias que esqueço do meu valor. tem dias que sinto que faço bem o papel de ser a pessoa mais doce que querem que eu seja.
tem dias que não me amo do jeito que sou e exijo demais de mim. não me entendo. não me empatizo.
aí eu lembro do tempo que faz que eu não choro. do tempo que a maré se recolhe, arrasta pra dentro toda a voz e faz de mim silêncio. e quando eu forço, sai qualquer coisa que eu rejeito e não sou eu.
aí eu paro, volto aos fatos. volto no tempo. entendo o que se passou e solto — junto com essa lua que leva embora o medo, que leva embora a certeza, que me arremessa para o incerto.
tem dias que (todos) passam.