cansei dessa fuga

em minha adolescência tive alguns amores e também desamores. fizeram-me chorar, suspirar até a morte, mas a morte não chegou e três dias após o desmoronamento tudo passou — e como. quem foi que inventou esse negócio de o mundo dar voltas está de parabéns, sério.

aos recém completados 28 anos e uma crise — frequente — existencial pude constatar que tudo passa. deparei-me com essa resolução após quatro longos anos de existência na faculdade. não fui diferente dos outros. arrecadei e deixei pessoas pelo caminho.

nesse momento, com um restinho de vinho e uns biscoitos que se fazem de fit, porém, têm bastante transgênico, restou para este momento melancólico. peguei uns cds antigos, pesquisei no santo google por onde anda meu grupo favorito de heróis musical da adolescência. e tudo veio à tona. uau. o tempo voou. ao ouvir a primeira música (a minha primeira música) da minha banda préferer me dei conta da velha amiga idade. mas, me sinto jovem, eu sou jovem e quem há de negar? foram muito bons no que fizeram. sou de um momento lapso-temporal em que gostávamos — e gostamos — de uma boa música, introspectiva, de um pouco de música e um vinho, de um pouco de vinho e livro, de um pouco de música e memórias e gostamos de chá também. por acaso, nesses momentos, ainda sou aquela garotinha animada e falona que adora escrever, só que agora não escreve, algo que sempre fôra recorrente. veio a vida, veio os dias, trabalho, boletos, emagrecer, casamento, faculdade, trabalhos, línguas e a velha melancolia. “deixe o moço bater que eu cansei da nossa fuga”. merci.