2008: o ano dos meus xixis

Quando eu tinha 13 anos eu queria fazer algo memorável, algo que ninguém nunca tivesse feito antes, algo que fosse digno do Guinness Book — o que pra mim era incrível na época.

A ideia surgiu em uma aula de biologia, quando estávamos falando sobre o sistema urinário e eu perguntei quantos litros de xixis uma pessoa faz por ano. A professora não soube me responder, obviamente, e eu fiquei com isso na cabeça.

Na virada daquele ano, noite de Réveillon, enquanto todos estavam fazendo suas promessas, eu tomei a sábia decisão de contar quantos xixis eu faria em 2008. Calcular os litros seria impossível, mas contar os xixis era viável e, eu, Marcella aos 13 anos de idade, faria algo nunca feito antes.

A cada xixi feito eu marcava um X na minha agenda e no final do dia fazia a soma. Eu contava pra todo mundo sobre o meu projeto e a pergunta era sempre: "fez quantos até agora?" e eu respondia com orgulho, como se eu fosse a única mijona do Brasil. Para não correr risco de esquecer daquele xixizinho rápido fora de casa, eu carregava comigo uma agenda e a oficial, que eu chamava carinhosamente de "agenda dos xixis", ficava no meu banheiro de casa.

Quando o número chegou a 1.000, perto do mês de setembro, cantamos parabéns na minha sala de aula. A nostálgica 8ª série C acompanhou xixi por xixi e alguns colegas me incentivavam a contar cocôs no ano seguinte, feito esse que, infelizmente, não levei adiante.

Já quando o ano estava perto de acabar, eu parei de divulgar (posso dizer assim?) o número atual de xixis porque na virada do ano eu planejava fazer um bolão na minha família. E aconteceu! Meu avô Jayme foi o vencedor, chegando próximo ao número final.

Antes de revelar o grande número, deixo aqui uma curiosidade para te instigar a dar o seu palpite: houve dias que fiz apenas 2 xixis e dias que fiz 8.

Pensou bem? Fez uma média?

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2008 foi o ano em que fiz 1424 xixis.

Foi também o ano em que não saí no Guinness Book porque a minha agenda dos xixis não prova nada e ninguém (!!!) falou isso pra menina de 13 anos que passou um ano, bissexto diga-se de passagem, contando xixi por xixi.

Meu avô Jayme com o super prêmio do bolão.
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