escrevendo, apagando e reescrevendo

é engraçado escrever numa rede social e pensar que estou falando sozinha, mas ainda é uma sensação mais reconfortante que escrever no word ou sei lá. já usei esse site para escrever um experimento social totalmente fracassado (pelo simples fato de eu mesma ter regredido bastante naquilo que eu havia planejado — é, não consegui deixar o celular de lado, o plano era esse) e agora estou utilizando apenas para jogar uns pensamentos soltos. não é um diário, entretanto, apesar de parecer bastante.

a verdade é que eu estou me sentindo muito improdutiva ultimamente. minha cabeça vive cheia de vazios, o que é insuportável. e esses vazios, esses vazios tão irritantes, preenchem todo o espaço do que deveria valer a pena ser pensado, coisas úteis, coisas que me fazem ser produtiva. eu estou com uma mente lotada de nadas. eu quero ler, quero escrever, quero estudar e coisa alguma faz sentido na minha cabeça. acho que eu só consigo sentir o quanto meu cérebro é lento em relação ao de todo mundo. isso pesa e pesa demais.

não é legal saber que preciso de um remédio para ficar atenta a uma aula e que talvez nem assim ela faça tanto sentido instantaneamente pra mim. não é legal pedir uma explicação a alguém e ter medo do tempo perdido que aquela pessoa pode ter se eu não entender o que ela está falando. não é nada legal morrer de ansiedade só de pensar em um professor pedindo que eu resolva um problema, quando eu momentaneamente perdi a atenção e não sei o que eu preciso fazer. eu odeio que me peçam para pensar na solução de um problema na mesma hora, porque eu provavelmente vou precisar de um tempo muito maior do que qualquer um acharia normal para dar uma resposta. meu curso não colabora para eu me sentir bem em relação a isso, tudo se trata de respostas rápidas, eficiência, agilidade.

uma droga.

é, que coisa complicada é a tal da falta de atenção quando se precisa estar atenta a todo momento nesses dias de hoje. eu preciso de um foco muito grande em coisas que nem de longe atraem meu foco. é difícil algo me prender a atenção se eu não vejo algo de bom saindo dali, uma meta de curto prazo que eu me sinta instigada a cumprir. e todos parecem estar indo muito bem nisso, o que me deixa pior ainda, não num sentido de inveja, só de… ficar para trás.

como eu volto a ser produtiva?

como eu volto a me interessar por coisas que não me geram sentimentos positivos?

eu estou tentando ter ideias, estou mesmo. minha rotina de estudante chegou ao nível entediante de me fazer cogitar mudar a posição da cama enquanto estudo só para mudar o ambiente de estudos. além de tudo tenho a porcaria do problema de me entediar muito fácil com o que eu faço e passar boa parte do tempo tentando inovar, quando não há o que ser inovado. tudo precisa ser muito mecânico e eu detesto a sensação de agir como uma máquina. no momento estou escrevendo isso esticada no tapete da sala, porque sentar numa cadeira, no sofá ou na cama estava me irritando.

é no mínimo um alívio estar escrevendo agora, na verdade, porque fazia tanto tempo que eu não me dava ao prazer de escrever qualquer bobagem que seja… fico sempre sentindo falta dessa parte de mim, essa parte que adora jogar ideias em palavras, ter momentos loucos de inspiração no meio do sono e acordar com a necessidade de escrever, ter planos incríveis do que fazer nos próximos dias, nas próximas semanas, nos próximos anos. a sensação é de que, com a rotina — tão irritante, tão seca — , minha criatividade escapou cada vez mais pelos meus dedos e eu estou só esse vazio mecânico que vos fala (usar "vos" é um tanto quanto irônico quando se está falando sozinha). eu quero, eu preciso da minha inspiração de volta.

um pouquinho dela pode ter acabado de aparecer.

quem sabe eu esteja dizendo "oi, luzinha no fim do túnel".