
Caranguejo
Das profundezas do barro
No interior do manguezal
Em pequena fenda aberta
Surge o andante lateral
Corres na direção do rio
De emoções e sentimentos
Mas a correnteza é forte
E te leva a todo vento
A água lava as impurezas
Da lama de tua casa
Mas tu sentes muita falta
Dos siris da argila rasa
Tu tentas a todo custo
Enfrentar o que te empurras
Até que enfim desabas
E tu choras em fulguras
Após muito sofrer,
Em grandes pedras colidir
E teu casco a engrandecer
Tu começas a refletir:
Para que tanto lutar
Contra o rio que me levas
E por onde consegui
Livrar-me de minhas trevas?
Devo mesmo é libertar
As garras de caranguejo
E nas sensações nadar
Assim jamais fraquejo