O divórcio
19 de julho. Data comemorada nos últimos três anos, mas que ontem virou apenas mais um dia. Seria a comemoração de mais um ano de casada. Seria, porque agora entrei para o clube das divorciadas.
Sempre que conto esse capítulo da minha história recente, eu escuto a seguinte frase: “Pena que não deu certo”.
Mas qual o prazo de validade de um amor? Um mês, um ano, 10 anos ou o felizes para sempre? Crescemos acreditando que a nossa cara metade está perdida pelo mundo. Cremos que o amor perfeito está por ai, nos esperando para completar as nossas vidas. O romance das telas do cinema e das páginas dos livros nos ensinam a acreditar nessa teoria. Somos moldados diariamente a formar um casal ideal.
Muitas vezes, no entanto, penso: Será que Romeu e Julieta teriam sido felizes para sempre? Ou o final trágico apenas eternizou o que, com o tempo, cairia na rotina? Acredito na rotina.
Começamos a amar alguém num piscar de olhos. Seja por aquela risada gostosa ao assistir uma comédia, ou aquele abraço de conchinha durante a noite. E do mesmo modo, pode acabar.
O amor se aposenta, mesmo que na visão dos outros esteja no auge. O fim não esquece o passado ou apaga os momentos de alegrias. Apenas, aposenta algo que foi eterno enquanto durou.
Vinícius de Moraes eternizou a frase “Que seja infinito enquanto dure” e vale lembrar que o poetinha teve nove casamentos. Escreveu as mais belas palavras com vários amores. Nós, por outro lado, costumamos julgar quem pula de casamento em casamento. Será que estamos certos? Aposentar no auge talvez seja a melhor forma de preservar.
O meu amor ultrapassou o prazo de validade. Se aposentou! Não houve brigas ou rancor. Não virou ódio! Me questionam o porquê de não ter dado certo, mas a minha resposta é sempre a mesma: Deu certo por nove anos!
Foram nove anos de amor, companheirismo, amizade, diálogos e até debates acalorados. Noites adentro regadas de cerveja ou vinho. Pistas de dança sempre ocupadas por nós até o fim. Risadas sozinhos ou acompanhados de vários amigos. Casamentos de amigos, família e o nosso. Aventuras em cachoeira, viagens de carro e um caso de amor eterno com a Bahia. Fizemos tudo do nosso jeitinho e até uma “filha” e cachorro vieram nos acompanhar.
Mas o prazo venceu. Não há motivo certo e nunca saberei como explicar esse fim. Carrego apenas a certeza de que foi respeitado o prazo de validade. Não esperei pelas ânsias ou enjoos que estragam qualquer prazer. Guardo as boas lembranças e jogo fora as pequenas complicações. Se seremos amigos novamente? Só o tempo mostrará, mas tenho a consciência de que deu certo por nove anos!
