Home office — Rá! Pegadinha do malandro!

A quase três anos atrás sai de uma grande empresa para trabalhar no meu próprio negócio junto com mais um sócio. Como todo inicio, com a grana contada, comecei então a trabalhar em casa, o tão sonhado Home Office. Trabalhar em um ambiente aconchegante, com horários flexíveis, sem ter que ficar “tretando” por conta da temperatura do ar condicionado, com direito a uma cama pra um cochilo revigorante de 30 minutos no horário de almoço, era tudo que eu queria!

Depois desse tempo trabalhando em casa, se eu pudesse dizer algumas coisas a eu mesmo, a quase três anos atrás sobre de trabalhar em casa, eu diria:

1) Eu estou trabalhando, não estou de férias ou disponível:

No inicio eu ainda morava com minha mãe e meu irmão. Minha mãe aposentada e meu irmão estudante universitário. Nesse contexto, o que você pensaria se passasse a ver em casa alguém que normalmente estaria trabalhando das 8h às 17h? Eu naturalmente pensaria que essa pessoa estaria de férias, ou seja, estaria disponível. E foi exatamente o que aconteceu, eu era solicitado com frequência para algumas tarefas domésticas, não que eu ache ruim, pelo contrário não vejo problema algum desde que eu não fosse solicitado durante o trabalho. Levou um bom tempo para entenderem que eu estava em casa porém não estava disponível, ao menos no enquanto trabalhava.

2) Ambiente de Casa ≠ Ambiente de trabalho:

Quando eu chegava em casa depois do trabalho eu não fazia as mesmas coisas que eu fazia lá, ou seja, trabalhar. Particularmente, eu buscava deixar tudo em dia no trabalho e me desligar mentalmente dele quando estava em casa. Só me preocupava em descansar e sair com os amigos, cinema, jogar bola, surfar, tocar violão etc.. Ou seja quando você está em casa geralmente você não está trabalhando. Então você cria uma associação onde as atividades que você faz ou tem em um ambiente caseiro, no caso a sua casa, geralmente é diferente das que você tem em um ambiente de trabalho. Levei um tempo para virar a chave de que estar em casa também era trabalhar. O que me auxiliou nessa dissociação foi ter um ambiente dentro de casa que fosse “usado” somente para o trabalho.

3) Horário de trabalho:

O bacana de trabalhar no seu próprio negócio e ainda trabalhar em casa é ter horários flexíveis. No inicio estabelecer uma rotina ou constância de horários ao trabalhar em casa foi desafiante, principalmente por conta do que falei no item 2. Então fui testando alguns horários diferenciados, me observando e levando e consideração a minha produtividade. Levei um tempo pra ter constância no horário de trabalho, pois eu estava achando uma maravilha não me engessar quanto a horários. Porém quando você trabalha com outras pessoas que trabalham em horário comercial, e ainda algumas atividades exigem entrega em horário comercial, definir um horário compatível e ter constância me auxiliou muito a me inserir na minha nova rotina trabalhando em casa.

4) Não leve o trabalho pra casa:

Trabalhar em home office, me exigiu estabelecer uma “linha virtual” para separar dentro de casa os assuntos de trabalho dos assuntos de casa ou pessoais. Com o passar do tempo, sem que eu percebesse, tretas de trabalho começaram a fazer parte do ambiente da casa fora do horário de trabalho, o que não é muito difícil quando o ambiente de trabalho e ambiente caseiro/casa pertencem ao mesmo espaço físico. Não que seja ruim compartilhar alguns desafios e tretas as vezes, porém eu só falava disso. Isso começou a me causar um certo desgaste, como se não houvesse mais espaço pra nada além de assuntos e tretas de trabalho, deixou de ser saudável falar sobre. Então passei dar limite a assuntos do trabalho em dados momentos em casa.

Limitar os assuntos de trabalho em casa fora do horário de trabalho foi importante para manter a “ sanidade” em casa. Depois me percebi “levando o trabalho” não só pra casa, mas para qualquer lugar fora do meu horário de trabalho. Final de semana, no cinema, num almoço de família, num passeio, na praia etc…Minha cabeça não desligava do trabalho, um turbilhão de ideias, de hipóteses, pré-ocupações ocupando o espaço do ócio. Levei um tempo pra perceber que o quanto isso se tornou improdutivo, então comecei a exercitar esse desligamento do trabalho. Tive uma resistência grande no inicio, hoje percebo que foi muito por conta do sentimento de culpa de: “Ahhh porque eu não pensei nisso antes” ou “Ah mas eu tenho que validar essa hipótese agora SE NÃO…”. A culpa de não fazer algo, da sensação de sempre estar faltado alguma coisa que precisa se feita agora. Eu já tinha vontade de fazer Yoga, então por sugestão da minha namorada resolvi fazer. Por conta de grana fiz somente 3 meses, mas já foi o suficiente para exercitar o que é chamado de “estado de presença”, que é você estar focado e entregue por um dado momento no que você está fazer naquele exato momento. Isso me auxiliou muito no processo de me desligar mentalmente do trabalho fora do horário de trabalho.

5) Home Office ≠ Solitária:

Inicialmente na minha cabeça, trabalhar em home office seria o paraíso, trabalhar num canto, afastado do barulho do escritório, de pessoas passando de um lado para o outro, sem interrupções ou com pouquíssimas interrupções, que me isolaria do ambiente e suas perturbações . Não estar no mesmo espaço físico que as pessoas que trabalham contigo, torna muito mais fácil e tentador se isolar. Não que isso seja sempre ruim, no meu caso há momentos que uma tarefa em específico exige um certo grau concentração e se isolar ajuda. Porém isso não quer dizer que você vai deixar de interagir com as pessoas. Levou um tempo para eu perceber isso, o quanto é importante interagir com as pessoas mesmo não estando no mesmo espaço físico. Compartilhar diferentes ponto de vista sobre o mesmo assunto, problema ou hipótese, compartilhar suas angustias, suas alegrias e conquistas, conhecer mais sobre as pessoas, ouvir suas histórias. No meu caso, foi incrível como a comunicação e o ambiente de trabalho melhoram mesmo remotamente.

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