Luto — Museu Nacional
Desde pequeno me interessei por arte e sempre gostei de história, o que fazia com que outras crianças me chamassem de CDF — nem sei se já existia a palavra “nerd” na época. Eu não ligava.
Tem menos de 10 anos que, de fato, visitei o Museu Nacional pela primeira vez e tem pouco mais de um ano que estive naquele espaço incrível pela última vez.
Minha primeira reação com a triste notícia da tragédia foi segurar o choro. Tudo que consegui fazer a partir daí foi soltar um “car****!”. Logo pensei no imenso acervo que constituía a estimada instituição — desde as múmias, passando pelas obras de arte, fósseis, etc. É possível que tudo tenha se perdido, tenha sido consumido pelas chamas. Me bateu um desespero e deixei as lágrimas caírem. Anos de pesquisa, de formação e desenvolvimento de coleções, de história e memória não apenas brasileiras, mas de outros países foram perdidos. Viraram cinzas.
Pouco depois me veio à cabeça a frase que uma professora disse em aula: “Eu sou porque me lembro” — curiosamente era uma disciplina sobre memória.
Os museus — assim como bibliotecas, arquivos, centros culturais — são equipamentos não somente onde se salvaguarda a memória de grupos sociais ou de uma nação, são também lugares onde podemos exercer a memória, e é no cotidiano presente que entramos em contato com ela, colocando-a em prática para ascender ao futuro.
Portanto, me pergunto: quem seremos nós enquanto nação brasileira, se não não tivermos espaços que salvaguardem nossa história,nossa cultura e nossa memória? Quem seremos nós se não tivermos espaços para recordação? Como serei brasileiro se não lembro da minha história? Como avançaremos rumo ao futuro sem conhecer nosso passado?
Tais questionamentos são imprescindíveis para entendermos por onde perpassa parte das questões que a memória abrange e, por meio desta, tentarmos compreender a importância que os espaços preservadores de memória possuem na sociedade ocidental.
Todavia, infelizmente, é apenas nesses momentos de tragédia que nos damos conta da importâncias que espaços como os citados têm em nossa sociedade. Isso precisa mudar! É urgente a necessidade de educação patrimonial e memorial! Mas, principalmente, é preciso engajamento do poder público para garantir a manutenção e sobrevivência desses lugares. E cabe a nós cobrar de cada um deles e lutar para que nos seja garantido o direito à memória.
Afinal, como um país que não conhece sua história, que não preserva sua memória, será uma nação se não se lembra quem é?