Carregando o elefante nas costas

Marcelo Donato
Jul 30, 2017 · 2 min read

Segundo dados da ONG Contas Abertas, manter os nossos ilustres parlamentares custa pro bolso do pagador de impostos aproximadamente R$ 28 milhões por dia.

As duas casas somadas (Câmara e Senado) têm orçamento previsto para o ano de 2018 em R$ 10,2 bilhões, 8,5% a mais do que os R$ 9,4 bilhões previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual deste ano. Ou seja, dividindo o valor estratosférico pelos 365 dias, temos a árdua missão de desembolsar nada menos do que R$ 28 milhões por dia!

A farra com o dinheiro público seria considerada “pequena” se nesta conta estivessem apenas os vencimentos de Vossas Excelências. Como já é sabido, a maior parte é dinheiro meu e seu jogado fora com as toneladas de assessores (aspones na grande maioria dos casos) e com as famigeradas verbas indenizatórias.

A esquizofrenia dos marajás vai tão longe, que existem três ilustres Senadores que possuem mais de 80 (sim, eu não me enganei) pessoas trabalhando em seus gabinetes. Somam-se a isso, os vale-paletó, combustível, auxílio alimentação e multiplique por todos os deputados e senadores. Não se esqueça que ainda existem em plena era digital, cerca de R$ 6 mil reais para serem gastos com selos postais.

O brasileiro realmente precisa entender de uma vez por todas que os valores no nosso sistema político estão totalmente deturpados. Em vez dos eleitos nos servirem e realmente trabalharem para coisas nobres, estão sendo servidos por nós, a grande maioria de cidadãos de bem e que pagam seus impostos suados. Impostos estes que vão escorrer pelo ralo da corrupção e pelo desperdício em se bancar um sistema legislativo tão obeso.

Além do mais, não é mais suportável aguentar a carga tributária aumentando, como recentemente houve com a alíquota do PIS/COFINS para os combustíveis, com consequências no aumento da energia elétrica, no caso das termelétricas e dos fretes rodoviários, encarecendo o preço dos produtos finais. Nunca ou quase nunca se fala em corte nos gastos do Governo. Na maioria doa casos são cortes de perfumaria e que mais servem para sair na mídia e tentar enganar a população.

Ora, ninguém gosta de cortar na própria carne, mas a via justamente se encontra na diminuição das despesas governamentais e não no aumento de suas receitas.

Até quando vamos carregar esse elefante nas costas?

Marcelo Donato

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