Hacktown 2018: Tudo que vi num Casarão chamado femto

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Muito bem, essa é minha estréia aqui no medium e como pretendo escrever sobre cidades, nada melhor que começar pelo festival que rolou no último final de semana (de 6 a 9 de setembro) em Santa Rita do Sapucaí- MG. O Hacktown! Um festival de conhecimentos gerais que realizou sua quarta edição e tem atraído público de todos os cantos do Brasil e também de outros países. Ainda que usemos o termo ‘conhecimentos gerais’, é bom dizer que o festival busca unir tecnologia e sociedade dentro de seus temas e trabalha com perspectivas de inovação, desenvolvimento e tendências. No entanto, o que pretendo escrever aqui é sobre conexões, que para mim é o ponto alto do festival.

Mas, porque cargas d’água o título fala de um Casarão chamado femto? Vou explicar, caso você não tenha passado por ele, ou mesmo ido ao Hacktown 2018. O Casarão foi um espaço co-criado dentro do festival e que recebeu eventos do próprio festival compondo sua programação oficial, mas que não era o Hacktown (ficou confuso?). Apesar de compor a programação oficial do evento, assim como outros espaços o Casarão femto foi um espaço orgânico que compunha o conjunto de coisas que o festival tem para oferecer. O nome femto remete uma marca, a femto é uma empresa de inovação rápida de produtos e serviços através do design, mas ela não entra nessa história só como marca. A femto tem como fundadores Alessandro Ng e Heitor Murbach que, juntos comigo e Fernando Gassi realizaram em 2017 um rolê muito especial numa república recém formada num velho casarão. A coisa deu tão certo que em 2018 resolvemos por mais energia e realizar um rolê ainda maior. Fernando não participou conosco esse ano (mas seu nome precisa ser lembrado), a república cresceu e entrou junto na parada cuidando do bar, eu cuidei da curadoria Cultural em parceria com o Observatório Luneta (empresa que mentora carreiras e negócios, sobretudo no âmbito da Cultura), a Voicers cuidou da Tech Jam no sábado, o Coletivo Entre-Nós (que fez provocações artísticas no espaço) e a femto que desenhou o rolê e buscou outros parceiros como o publicitário Clayton (que foi nossos hospede em 2017), a gráfica Print, a aceleradora Ozonean, a provedora de internet VivaVox e o Monster Energy. A femto representa o processo de co-criação deste espaço e trouxe consigo a agilidade necessária, sem desrespeitar a organicidade do processo a fim de que tudo não perdesse o sentido e se torna-se um rolê feito por marcas. Muito mais que uma marca ela foi responsável pela pegada do Casarão durante todas as tarde/noites.

Pois bem, o Casarão femto foi pensado justamente para assumir essa organicidade que comentei e sofrer as construções necessárias do dia a dia de um festival tão grande como o Hacktown, mas que cabe numa cidade de interior de Minas Gerais. A casa se tornou hostel, o quintal cenário de palestras e show-cases, a garagem um bar e todo o cenário, uma grande pintura do que pretendíamos: usar o Casarão como espaço de conexões.

A quinta feira (6/9) começou com tudo certo e nada resolvido! Com pequenos detalhes que o dia a dia nos impõe as 18:30 a brincadeira começou com o show de Orelha de Pau, seguida de Léo Paulista, Alexandre Zamat, Moda de Rock e Dj Fúlvio. Dá música regional brasileira ao pop, do blues e do rock na viola à música eletrônica, o Casarão femto recebeu na primeira noite mais de 400 pessoas em circulação, o que manteve a lotação de 250 pessoas garantida a noite toda. Fim do primeiro dia, ativação da casa feita, o lance era preparar para um segunda noite ainda mais intensa. Na quinta feira conheci um produtor de cinema brasileiro que criou um herói de quadrinhos que virou filme, conheci uma gaúcha que super movimenta o sul no contexto do ativismos feminino.

Chegou a sexta feira! O dia foi conduzido pelo Observatório Luneta que preparou um dia para enfatizar o protagonismo feminino, onde mais de 90% das palestras e shows eram conduzidos por mulheres. Rolou a palestra da Laura Damasceno que tem um experiência fantástica com música, festivais e mercado e apontou tendencias interessantes sobre como encarar de frente a industria cultural, rolou ainda uma palestra com Renan Brito da Ozonean sobre aceleração com UX/UI e Growth Hacking e pra fechar uma roda de conversa sobre protagonismo feminino conduzido por Julia Lopes e Mariana Sayad do Observatório Luneta que apresentaram o projetos de conexões e economia de rede o “Agora é que são elas”. As 18:30 começaram os show com o rock vintage da Merisma Band, seguida da energia que transborda de Nanda Mazza e seu empolgante show, pra envolver ainda mais o público tivemos D’ons Maria e encerrando as bandas presenciamos a delicadeza e sensibilidade de Horse & Joy. Por fim, Dina e Nani Seixas levaram a galera até 1:30 da manhã com um show eletrônico inesquecível. Na sexta feira conheci Caio Vassão, um pesquisador fantástico de cidades, ecossistemas e metadesign que me convidou para bater um papo em Sp com o grupo de pesquisa da USP (não preciso nem dizer o quanto fiquei contente), conheci ainda, um casal que está construindo um festival em Ilha Bela (Sp) e que me mostrou um teatro para mil pessoas no meio da mata atlântica que me deixou de queixo caído. Mais uma vez o Casarão ficou cheio e pela varanda da casa era possível ver cerca de 100 pessoas fazendo manifesto pra entrar no rolê, o que trouxe a certeza de que a ativação de quinta feira funcionara muito bem.

Sábado! Osábado começou com ar de última noite, mais nem um pouco regado por tristeza, pela manhã ajustamos as coisas para que 13 horas Agatha Martins subisse no palco para falar de inovação social, em seguida Caio Andrade falou sobre conexões humanas e simplicidade como base, tanto para arte como para projetos comerciais. Fechando as palestras a femto falou sobre casos de projetos rápidos aplicados por eles ao redor do mundo. As 18:30 começaram os show! Eu estava fora conduzindo uma roda sobre como a cena musical pode beneficiar a cidade junto com as feras Celso Reeks, Verônica Pessoa e Pena Schimidt, então acabei perdendo boa parte do que foi o Belíssimo Show de Mikka e Léo Caranga, mas cheguei a tempo para ver a Tech Jam com Henrique Portugal (tecladista do Skank) e convidados que cantaram com ele e outros que subiram no palco para falar sobre tecnologia e sociedade. Em seguida veio o show de Marcelo Coelho e Mclav.in ( o que foi esse show? Animal!!!) na sequência o público parou pra entrar no embalo de O Reverb e a noite fechou com o melhor estilo eletrônico de Pink Touch. No sábado, mais tranquilo, conheci muitas pessoas fantásticas, bati um papo com Henrique Portugal e outras tantas pessoas vieram falar comigo sobre a experiência no Casarão femto.

Nossa meta era conectar pessoas. Todas as noites tivemos casa cheia, já li pelo menos cinco publicações que citaram o Casarão femto como um espaço de conexões. Acredito que a missão foi cumprida! Tudo que vi do Hacktown num Casarão chamado femto? Vi que as cidades podem se transformar, que essa transformação acontece aos poucos, mas acontece sim; vi que as pessoas querem realmente contribuir de alguma maneira com essas transformações; vi que a tecnologia quando bem aplicada traz os benefícios que a sociedade espera e que existem pessoas que estão atentas ao acesso horizontal à essas tecnologias; Vi que nós perdemos muito tempo de vida quando nós não nos conectamos com outras pessoas e que um festival como esse nos permite ver o quanto ganhamos de tempo nos permitindo às conexões; Vi que ganhei novos parceiros que iniciei a construção de novas amizades e que fortaleci outras tantas. Já estou planejando 2019 e espero todos vocês no Casarão!