Dossiê expões detalhes sobre a violência contra a mulher
Pauta fortalecida recentemente pelo Instituto Patrícia Galvão, a violência contra às mulheres é um assunto que vem crescendo junto com o feminismo como área de militância — e movimento social — e com o aumento nos números de casos propriamente. O instituto preparou um dossiê que busca informar e fomentar o tópico, trazendo também serviço para quem deseja tratar do tema.
Definida como “a extrema manifestação de desigualdades de vários tipos, que foram sendo historicamente construídas e vigoram, com pequenas variações, nos campos social, político, cultural e econômico da maioria absoluta das sociedades e culturas”, a violência contra às mulheres é um fato social que diariamente bota jovens e adultas em risco. Mais precisamente, acontecem cinco espancamentos a cada dois minutos e um estupro a cada 11.
No entanto, Camila Souza, estudante de Direito e integrante do Movimento Olga Benário, grupo que propõe a discussão em prol dos direitos da mulher e de uma sociedade igualitária, não acredita que tenha como se analisar fatos isolados dessa forma. A militante acredita que, analisando a América Latina como um todo, existe um movimento de retrocesso quando se trata dos direitos da mulher: “Nós vivemos numa sociedade capitalista-patriarcal que sobrevive da exploração da força de trabalho. Isso também da força de trabalho da mulher. Então esse cronômetro é reflexo de uma conjuntura que tá em processo de fascistização”.
Outro dado publicano no dossiê trata da violência doméstica. Nos últimos 10 anos, 43 mil mulheres foram assassinadas em casa, sendo que 41% destas foram vítimas de seus parceiros no ambiente caseiro. Camila frisa a importância de se acabar com o mito do “abusador ideal”, um bandido que aborda a vítima num beco escuro à noite: “Essa pessoa não existe”. Ela ainda lembra que 78% da mulheres que relatam abusos falam de casos que vêm de dentro de casa: “A gente precisa intervir articulando delegacias especializadas e capacitando os profissionais que atendem as vítimas”.
Camila Souza foi uma das representantes do Movimento Olga Benário no 1º Encontro Caribenho em Defesa dos Nossos Direitos. Discutindo o avanço de tendências de direita na política latina, a estudante não crê que o atual governo brasileiro tenha tendência progressistas neste sentido: “Eu vejo uma atuação muito mais eficaz dos movimentos sociais do que das instituições propriamente ditas. Existe inclusive muita resistência das instituições (partidos políticos) para formar parceria com movimentos sociais”, lamenta.