McQueen é Rocky Balboa em animação com temáticas sociais e imagens de alta qualidade

Imagens site da Pixar

Tenho um carinho especial pela franquia Carros, devido à paixão que meu filho (de 5 anos) nutre pela animação. Para se ter uma ideia, antes de aprender a falar “vermelho”, ele se referia à cor como “McQueen”.

Sobre a série, considero Carros 1 como o melhor da trilogia e um dos melhores da Pixar-Disney. Já o 2 é um dos piores produzidos pelo estúdio (embora isso não importe para grande parte das crianças. Coisa de crítico). Agora, temos o terceiro filme, lançado na semana passada no Brasil, que não demonstrou ser da mesma qualidade do primeiro, mas é bem superior ao segundo.

Na história, o campeão Relâmpago McQueen é desafiado por uma nova geração de carros de alta tecnologia — principalmente Jackson Storm — que começa a tomar conta das pistas e das equipes de corrida, estas por sua vez aposentando e demitindo os competidores contemporâneos do protagonista. Numa época de discussões relacionadas à reforma da previdência no país e ao universo empresarial iniciando a caminhada, sem volta, para a mudança batizada de “indústria 4.0”, o tema se torna muito bem-vindo.

Na ânsia de vencer, McQueen sofre um acidente sério e fica um bom tempo se recuperando na cidade de Radiator Springs. Quando decide voltar às pistas, se dá conta da imposição tecnológica sobre as corridas, fazendo com que ele precise se atualizar e, além disso, vencer sua crise existencial. Para isso, conta com a ajuda do Rust-eze Training Center, um centro de treinamento criado só para ele, e também da jovem treinadora Cruz Ramirez. Aliás, a nova personagem é um dos pontos centrais da narrativa.

Carros 3 se assemelha muito aos filmes Rocky. Algumas das sequências da animação fazem referências claras a Rocky 3 (1982), Rocky Balboa (2007) e Creed — Nascido para Lutar (2015).

Porém, embora as temáticas da idade e da superação sejam destaques na primeira e na segunda parte do desenho, outro assunto bem atual fecha Carro 3. Não dá para falar nada em relação a isso, pois é um spoiler de alto grau.

Computação gráfica é um diferencial

A irreparável arte visual supera a apresentada nos outros dois filmes. Existe um depoimento do diretor Brian Fee, postado no site da Pixar, afirmando que a franquia Carros é estilizada de maneira quase hiper-real: “É o realismo dirigido pela arte. Com a tecnologia implementada nos últimos anos, temos a capacidade de tornar esses personagens mais reais e vivos do que nunca”.

E ele tem razão. A computação gráfica utilizada na criação dos personagens e dos cenários ganha o status de ponto mais alto de Carros 3.

Viagem ao passado e Mater jogado de lado

A ligação afetiva de Relâmpago McQueen com o personagem Doc Hudson (seu mentor em Carros 1) é outro mote da narrativa. Um vídeo assistido por McQueen, com linguagem visual própria da metade do século passado, mostra as vitórias e o acidente de Doc, um fato que o discípulo também vivencia e vê como uma lição para si mesmo.

Se há ênfase na figura de Doc, o mesmo não ocorre com os outros antigos personagens da animação. E esse é um item negativo do novo filme. O engraçadíssimo Mater, por exemplo, ficou restrito a poucas aparições, sem importância na história. O simpático Fillmore (a Kombi) tem só uma fala e o Ruivo (o caminhão de bombeiros) aparece apenas uma vez com sua tristeza característica. Ficou a impressão de que os produtores, a fim de não excluírem totalmente os personagens, deram uma pequena ponta para cada um, substituindo-os por outros, como a Cruz Ramirez e o Smokey, antigo treinador de Doc.

Com altos e baixos

Com certeza, o novo Carros dará continuidade ao sucesso de vendas de produtos licenciados no mundo todo. Tudo indica que o portfólio será atualizado. Há, inclusive, na nova animação uma brincadeira sobre isso.

No geral, Carros 3 tem uma primeira parte empolgante, lembrando o desenho original, com a corrida inicial, a trilha sonora e a viagem feita por McQueen com Mack. A segunda parte é meio arrastada, gerando um desconforto até nas crianças pelo que constatei no cinema. E o final, como escrevi antes, traz uma mudança interessante de foco, apesar de surgir bruscamente, como se tivesse sido pensada de última hora.

Curta-metragem

Antes do início de Carros 3, os espectadores podem conferir mais um dos belos curtas criados pela Pixar: Lou. O short film fala de um menino que rouba os brinquedos dos coleguinhas de escola, mas muda seu comportamento com a ajuda de um novo amigo mágico. Educativo!

Carros 3

Direção: Brian Fee
Roteiro: Bob Peterson
Ano: 2017
Duração: 1h 43min
Nacionalidade: EUA

Assiste ao trailer:

)
Marcelo Kenne Vicente

Written by

Sou Jornalista e neste perfil escrevo sobre cinema, música, literatura e cultura em geral. Também abordo outros assuntos. Esse é um espaço para experimentação.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade