O filho herói

Há cinco anos, 19 outubro de 2011, vivi o dia mais tocante da minha vida. Foi quando coloquei em meus braços, pela primeira vez, o pequenino Heitor, meu filho herói. Nasceu 48 horas antes do meu aniversário, um presente e tanto. Fiquei feliz, mas assustado, pois a partir dali minha existência nunca mais seria a mesma.

Desde aquele dia, o Heitor se espalha por todo o meu ser. É uma bênção! A cada brincadeira, sorriso e bagunça ele desperta o que há de melhor em mim. Me sinto mais responsável e forte e ao mesmo tempo rejuvenesço, amo e aprendo.

O Heitor é muito esperto e meigo. Um dia é o super-homem, no outro o homem-aranha ou o buzz lightyear. Gosta de correr pela casa, imaginando-se um herói que vai salvar a humanidade. Seus brinquedos estão por toda a casa, pelo pátio e pelo carro. Tem o relâmpago mcqueen, o matter, o woody, as peças de lego e uma dezena de jogos e carrinhos da hot wheels. Já me fez assistir a centenas de vezes as suas animações preferidas, como Toy Story, Carros, Detona Rauph e Shrek. Sei todas as falas dos desenhos.

Heitor, o guerreiro, venceu a meningite com um mês de idade. Foram os momentos mais difíceis. Lembro-me do dia que fomos embora do hospital, após 15 dias dentro de uma UTI Pediátrica. Eu usava a camisa do meu time do coração e era todo sorrisos pelo caminho. Um casal me abordou no elevador perguntou se eu estava feliz pelo resultado do jogo do dia anterior. Olhei para eles, emocionado, e falei da minha grande alegria por levar meu filho forte e saudável para casa.

Hoje, é um menino cheio de energia, embora às vezes role um estresse por causa da alergia à proteína do leite ou até por aquelas gripes bem típicas de crianças pequenas.

Para o Heitor qualquer lugar e ocasião são motivos de festa. Quer ser amigo de todos. No consultório médico, no metrô, na pracinha ou no shopping, tenta se aproximar das crianças e dos adultos que estão ao redor. Mesmo quem é mais fechado se abre para o “oi” dito por aquele baixinho de sorriso aberto e olhos brilhantes.

Nos momentos de educá-lo com mais rigidez, depois de uma travessura, o gurizinho consegue tirar da gente uma rizada (escondida) quando tenta se explicar. Gosta de expor seus desejos e dar suas opiniões como se fosse adulto. Eu sei, dizer não aos seus pedidos ou ações é também demostrar que o amo. É um aprendizado para mim e para minha mulher. Mas, conforme o caso, eu prefiro falar sim! Sim à vida, sim à boa autoestima, ao amor, ao abraço, ao colo, ao beijo. E o “Eu te amo, papai” me derruba.

Heitor é o meu herói. Ele me salva todos os dias.

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