Você está procurando por confiança no lugar errado

Já se perguntou por que lutamos para alcançar confiança? A razão é simples. Vemos isso como algo que devemos conquistar e não por algo que já temos. Mas há um problema: como encontrar algo que já se tem posse? Como podemos ter certeza quando já nos vemos como incompletos? Veja bem: confiança não é um ato que realizamos, um papel que desempenhamos, ou um script que recitamos. Portanto, não precisamos “ganhá-la”. É simplesmente sobre ser você. Você já tem a si mesmo, não é? Então o problema está em quebrar a contrariedade em se mostrar, ser você mesmo. Há um bloqueio no caminho.

A confiança é a coisa mais natural do mundo. É a remoção de obstáculos para ser você mesmo. Todos os pensamentos negativos e impressões que nos limitam a ser duvidoso, dominado, tímido, incerto. Quando estamos livres daquelas ansiedades, medos, pressões, só então podemos ser naturais, a vontade, confortáveis com as outras pessoas. Porque estamos, enfim, a vontade com nós mesmos.

Mas não vemos a confiança como algo que já temos, então procuramos em todos os lugares, não é? Nos livros, na maneira de falar, ou até em outras pessoas. E é por isso que não somos confiantes. Estamos à procura de uma ilusão porque acreditamos que somos inadequados, incompletos para começar. Mas como podemos ser tudo menos tímidos, ansiosos, temerosos, ou supercompensadores por sermos vangloriosos e vaidosos se acreditarmos que somos inerentemente incompletos? Nós nunca podemos realmente estar confiantes dessa maneira, podemos?

Pensamos que a confiança é como uma flor rara e frágil, que, se pudermos apenas convencer, administrar, persuadir e fazer florescer… Então o mundo notará. Portanto, devemos protegê-la do vento e da chuva. Colocamos então as mãos em volta dela. Talvez construamos até uma fortaleza em torno desta. Acontece que, dessa forma, ninguém verá a flor.

O que o mundo vê? O mundo vê as nuvens, a chuva e as tempestades, não a flor. A flor é golpeada pela chuva. As tempestades a aplainaram. Ela é quebrada e dobrada sobre si mesmo. Como alguém pode vê-la?

Quando pensamos que a confiança é uma flor rara e que precisamos manipulá-la para que floresça, então ficamos escondidos, e não confiantes. Por quê? Porque nós criamos as tempestades que agridem a flor. As tempestades são nossos medos e ansiedades. Eles nos fazem errar, hesitar, perder a marca, falhar no teste, renunciar a chance. Se você está ansioso e com medo então vai sempre tropeçar, falar mal e fugir, não vai? Você se enganou de confiança. O ato de tentar ser seguro, orgulhoso e perfeito engana-nos.

Quando acreditamos que devemos “agir” com certeza, “exibir” certeza, então nunca estamos realmente confiantes em tudo. Sentimo-nos ainda mais ansiosos do que antes quando tentamos desesperadamente agir confiantes, não é? Isso acontece devido a própria pressão que colocamos sobre nós, geradora do medo e da ansiedade. Temos medo de mostrar a quem amamos o que realmente somos. Temos ainda mais medo de fracassar, de dizer a coisa errada. Tudo isso tentando proteger de forma ingênua a flor da confiança.

A flor já está lá, dentro de nós, já floresceu. Nós não temos que persuadi-la ou enganá-la, ou mesmo protegê-la. A flor é a coisa mais forte do mundo. A tempestade a curva, mas não a quebra. Portanto, nosso verdadeiro trabalho, se desejamos ser confiantes, não é nos tratar como coisas frágeis, facilmente quebradas.

Nosso trabalho é fazer com que as nuvens que escondem a flor desapareçam. A luz solar faz com que as nuvens evaporem. A flor pode subir então, forte e alta, naturalmente, porque esteve lá o tempo todo.

Então, isso é conosco. Quando verdadeiramente vemos nossas ansiedades, medos e preocupações pelo que são: ilusões, truques, fantasias… Elas começam a desaparecer, não é? O momento que podemos dizer: “este pobre tem medo, sob pressão, assustado. Como sofre desnecessariamente!”. E esta pessoa é nós, então podemos respirar. Exale. Acalme-se.

O que aconteceu? Temos agora clareza súbita na mente. Vimos em nós mesmos. E esse mesmo ato de ver nos mudou. Sabemos agora que o ser que tem medo, ansiedade, sofrimento, não é tudo o que somos. Apenas uma parte pequena e transitória. Essas preocupações são apenas as nuvens que escondem a flor. O verdadeiro eu é o vigia, o observador, o silencioso testemunho empático.

O ato de testemunhar a nós mesmos, talvez pela primeira vez, fez com que as nuvens começassem a desaparecer. E revelou-se então a flor. Nossa energia negativa, nossos obstáculos e bloqueios, que são nossos medos e ansiedades, começam a encolher e retroceder naturalmente.

Isso é autoconsciência. O que resta no final desse processo? Não nosso medo nem nossas preocupações. Estamos leves, confortáveis, a vontade. Nossos fardos levantaram. Nossos tormentos, que são realmente apenas nossas próprias ilusões, derreteram. Tudo o que resta é nós, como nós realmente somos.

A flor estava lá o tempo todo. Agora que as nuvens se foram, ela pode ficar alta e verdadeira, florescendo. O mundo pode vê-la agora. Mas antes, o mundo só podia ver as nuvens, a chuva, a tempestade.

Agora temos o que estávamos procurando. Errado! Não precisamos procurar por ela. Ela faz parte de nós e esteve lá desde o início. Tudo o que tínhamos de fazer para torná-la visível ao externo foi testemunhar a dor para curar a dor.

Confiança é simplesmente remover os bloqueios e obstáculos que lhe impedirem de ser você mesmo. Nosso verdadeiro estado existencial é natural, calmo e confiante. Para alcançá-lo devemos gentilmente colocar de lado o que está no caminho para nos encontrarmos novamente com nossa essência, nosso ser.

Quando estamos confiantes, não temos que sentir pressão, medo, ansiedade, em qualquer situação. Entenda: nada disso vai desaparecer, mas os obstáculos recuarão para a periferia. Nuvens ainda flutuam pelo céu, mas elas não são o céu. Nossos mundos se expandem. Nós estamos confiantes.

Isso é tudo que a confiança é. A remoção de todos os bloqueios que o impedem de ser você mesmo. É a coisa mais simples do mundo, mas também umas das mais difíceis. Porque para encontrá-la, devemos parar de procurá-la e ver a nós mesmos para que possamos ser nós mesmos.

Agora você sabe melhor o que significa a frase “ser você mesmo”. Parece fácil. É natural, mas não é fácil. É preciso disciplina, perseverança, coragem, graça, porque é uma jornada sem fim. E a confiança é simplesmente seu primeiro passo.


Ah, e no caso de você precisar disso hoje:

Eu acredito em você.

Eu acredito em você apesar de suas falhas. Eu acredito em você por causa das suas falhas. Eu acredito que você pode desafiar as probabilidades. Eu acredito que você pode fazer o trabalho que importa. Acredito que você pode silenciar os críticos e entrar em seu chamado. Eu acredito que você pode se divertir na vida (lembra-se de diversão?). Eu acredito que você é maior do que você pensa que é. Eu acredito que o mundo é melhor porque você está nele. Eu acredito que você pode tomar esta vida única e crescer algo bonito.

Se você precisa de ajuda ou de alguém pra conversar, conte comigo. Meu telefone é 31 98607–3148. Não posso te prometer uma solução infalível. Não posso te prometer que vou responder imediatamente. Entretanto, saiba que eu vou estar lá pra te escutar. Eu quero e posso te ajudar. Vamos, crie confiança. A primeira atitude é sua :)

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