Para quem deseja empreender em rede

Compartilhando caminhos e descobertas

Empreender em rede é energizante, emocionante, fantástico. Sabe quando você se encontra com duas ou mais pessoas que estão na mesma sintonia, e de repente as coisas entram numa dança eletrizante de descobertas movidas pela curiosidade e deslumbramento à novidade, tempestivamente? Você fica tão ligado e envolvido que não sente fome, sono, sua cabeça não para, e isso tudo acontece em um ambiente de muita confiança, leve, alegre e feliz. Não estou falando de drogas, de nenhuma paranoia, hahaha, apenas da aventura de empreender em total liberdade. Em outras palavras, você volta a ser aquela criança deslumbrada e motivada pela descoberta do novo a todo instante.

O que é capaz de criar e manter este tipo de ambiente? Como chegar lá?

Não tenho respostas prontas, mas estou neste momento em meio a uma experiência dessas, e o que posso compartilhar com você talvez possa lhe ajudar. Adianto que duas coisas ficaram muito claras para mim, se você está buscando estas respostas:

  1. se trata muito mais do que não fazer, do que fazer.
  2. é muito mais fácil se deixar levar pelo fluxo, do que buscar entendê-lo para agir de acordo.

Uma aventura, a liberdade para inovar, criar, inventar, não acontece de forma teleguiada, prevista, planejada, arquitetada. Ou seja, a aventura do empreender não ocorre em meio a qualquer estrutura de poder, em organizações (empresas, ong’s, associações, partidos, escolas, grupinhos etc) que atuem de forma mais centralizada que distribuída.

Quando falo sobre uma “empresa” ou empreendimento em rede, o que tendemos a achar é que aí tem um grupo. Pois é justamente quando a rede morre. Não pode haver. E enxergar ou organizar grupos é uma tendência fortíssima nossa. Queremos caracterizar um grupo proprietário de pessoas que se identificam sob determinada marca ou nome, que agem em consenso e se fortalecem mutuamente, alimentando interesses com estratégias em comum. Fudeu! Empreender em rede significa termos propósitos semelhantes, mas com total liberdade de ações. Significa muito mais o que não fazer, do que fazer, pois a maior parte de nós fomos programados a se comportar de modo centralizado, hierárquico, selecionando vantagens e caminhos. E existe uma massa enorme da sociedade que continua funcionando assim, o que nos influencia demais.

Empreender em rede significa estar aberto ao outro-imprevisível que pode surgir com uma puta ideia, do seu lado, junto, ou ainda reprogramar por completo tudo o que você já pensou, sozinho ou não. Não há curadoria se algo é bom o suficiente ou não, se está certo ou não, se eu fui com a tua cara ou não. Faça aqui, ali ou acolá, estamos todos fazendo e conectados. A ligação não precisa ser forte, no sentido de ter um parceiro empreendendo do seu lado dia-a-dia. A maioria das conexões devem ser fracas, ou seja, estamos no mesmo salão, distantes, mas dançando a mesma música.

O que coliga pessoas empreendendo em rede não pode ser a necessidade de recursos, a busca de lucro, uma plataforma, uma empresa, um contrato, nada disso. Deve ser a sintonia e a sinergia com o propósito de explorar ideias e temas. Por que? Senão você se sabota, e este fazer o que realmente deseja acaba se tornando naquilo que é cool, que você só faz nas horas vagas, e não como sua atividade de vida. Senão, você volta para aquele emprego FDP que te amassa todo dia.

Por isso que, para realizar a mudança, não há outra maneira a não ser sendo radical. Você não se prepara pra ela, não há um melhor momento (ele nunca virá).

O momento certo é agora.

Mas veja bem, não é pra ser um idiota, meu amig@. E garanto que ao tomar esta decisão você não estará sendo. Você estará absorvendo toda liberdade que talvez estivesse perdida um bom tempo. Não dependa de um único projeto. Lembre-se: crie fluxo, crie caminhos e mais caminhos. Quanto mais conexões e interações, maiores as possibilidades que tudo dê certo. Pobreza é uma medida de não-rede.

E eu estou exatamente neste momento. Sim, o que gostaria que me fornecesse todos os recursos que preciso para viver ainda não é uma realidade, mas o que não podemos é ficar dependente disso. É preciso ter várias fontes de recursos, principalmente, de naturezas diferentes, para criar um ambiente sustentável.

Gostaria que você lê-se este texto, mas prestando atenção se em qualquer linha não é exatamente o programa da matrix que está rodando em você. Deixe ele se apagar, se tornar obsoleto. Liberte-se.

Autonomia

Cada enterprise ou empreendimento é um projeto independente e autônomo, ainda que ligado aos outros pelo branding em comum, ou seja, o propósito compartilhado. Mas essa autonomia não te isola de todo o restante (outras pessoas ou empreendimentos), pelo contrário, te conecta ainda mais gerando uma inter-dependência. Sobre isso escrevi um outro texto aqui.

Falando da grana

Nós temos custos em comum, isso significa, que compartilhamos isso de acordo com o faturamento de cada empreendimento. Achamos nossa própria maneira de dividir as coisas. Depois de testar alguns métodos que inventamos, chegamos a conclusão que o melhor e sair com o jogo dividido igualmente entre todos, e na hora da divisão, avaliamos cada um como participou, seu papel e por fim o quanto deveria ser diferente.

Fluxo

A coisa em rede só funciona se tem fluxo. É preciso ter conteúdo, atividades, ou seja, sua vida precisa estar aí.

Sobre os caminhos da comunicação

Empreender em rede significa criar cada vez mais caminhos ou invés de gerar escassez escoando o fluxo para um açude (normalmente, uma configuração real ou abstrata a qual pensamos ter controle dos processos). A lógica é clara, quanto mais caminhos, maiores são as possibilidades de gerar recursos de qualquer tipo. Mais conexões geram mais interações, e daí decorre toda a fenomenologia observada em redes sociais mais distribuídas que centralizadas.

O que estamos fazendo: elaboramos diversos projetos, cursos ou programas, virtuais e presenciais, e incentivamos que, incluindo os proponentes do mesmo, este projeto seja ofertado e divulgado em diversos lugares ao mesmo tempo.

Mas aqui há uma regra clara sobre como divulgar: não há regra. É óbvio que não se pode inventar nada que o projeto não ofereça, ou seja, ludibriar ou mentir. Estamos falando sobre diversidade e, mais uma coisa, redundância. E isso nos levou a uma outra descoberta.

Deixe cada cluster falar na sua própria língua

Não precisa se preocupar mais em fazer os outros entendê-lo com gatilhos pra isso. Não precisa mais se preocupar em elaborar as técnicas para tornar seu produto ou serviço inteligível e facilmente digerível pelo seu público. Este esforço gera um custo tremendo para a gestão do negócio, e a origem dele ainda é ter o controle sobre o que os outros vêem, escutam, falam, e ainda mais, sobre como você dita aos outros como eles devem descrever o que você comunicou. Há aqui um entendimento equivocado sobre o que é comunicação, que não é levar a informação de uma ponta a outra, mas sim, uma coordenação de coordenações de comportamentos, o qual através da interação, um muda com o outro, e assim segue. É uma concepção elaborada por Varela e Maturana em A Árvore do Conhecimento (1984), que pretendo fazer de tema para um outro texto.

Quando damos liberdade para qualquer pessoa comunicar algo com o qual ela se identificou à sua maneira, ela vai usar a linguagem do seu cluster, ou seja, irá criar uma identificação muito maior com seu potencial público. Ao mesmo tempo, criamos mais um canal de presença do projeto, fortalecendo sua rede de divulgação com esta redundância.

A redundância cria maior resiliência à imperfeição inerente. Em outras palavras, ampliamos o espectro social atingido quando permitimos que novas linguagens se expressem sobre um mesmo tema com liberdade, o que não é possível com uma comunicação centralizada, a não ser com altíssimo custo de investimento, pois inibe a ação altruísta e pró-ativa do comportamento humano quando deseja levantar uma bandeira com a qual se identifica, por total espontaneidade cooperativa.

Bom, neste ponto entendemos que mais caminhos, diversidade e redundância, significa, mais pessoas. Sim, pessoas são as portas para outros mundos sociais.

Parceiros da rede

Um comprador pode virar vendedor e isso pode se disseminar…

O objetivo é fazer com que todo nodo da rede vire um possível ponto de transações, de criação, produção e consumo… como um amigo falou: é o paraíso da economia em rede distribuída! ;-)

Tudo muda, sempre

Isso é algo que pra mim foi complicado. É aceitar que em rede tudo está sempre mudando. Estava condicionado a planejar o que ia fazer, em como ia fazer, e seguir com o projeto. Mas existe um erro crucial nesta atitude. O mercado muda mais rápido que o tempo que você leva para executar o que planejou. Já passei por isso, talvez você também, mas nos tipos de negócios que empreendi, quando fiz aquele puta planejamento, antes mesmo de terminar a execução dele já percebia como muito já havia mudado, como várias das coisas planejadas ficavam obsoletas ou precisava de amadurecimento, em como isso influenciava no contexto geral do projeto desarticulando estratégias, e desistia, deprimido e estafado.

Bom, em rede, como o nível de interatividade é muito alto e a resposta ao que fazemos segue a mesma dinâmica, nós mudamos, adaptamos, cortamos, incluímos tudo com uma frequência enorme. Isso enxergava como um problemaço. Mas não era, pois esta mesma sinergia permitia que fizéssemos todas as mudanças com muito mais velocidade, com uma produtividade e eficiência que nunca tive em nenhum lugar. Então, nossa resposta aos feedbacks externos eram uma vantagem neste contexto!

Fizemos uma plataforma de conteúdo, com acesso a textos diferenciados pra cada tipo de usuário e integrado com um sistema de automação de mensagens, em apenas 3 dias.

Integramos esta plataforma, com um ecommerce próprio (usamos a Stone como adquirente e o iPag com gateway de pagamento), em 5 dias.

Mudamos todo o contexto de um programa que estava a meses sendo planejado, refazendo a estratégia, vídeos, a edição, a página de divulgação etc, em apenas um dia!

Criamos outros dois programas, do zero até sua implementação e divulgação, em apenas 2 dias.

Pois é.


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