O celular é o problema?

Se existisse uma máquina do tempo e fosse possível trazer um médico cirurgião cardíaco do século XIX para nossos dias e o pedisse para executar uma cirurgia em nossos centros cirúrgico, é bem provável que ele soubesse do que se tratava, porém ele pouco saberia lidar com os procedimentos e equipamentos atuais. O mesmo ocorreria com um bancário se ele se dispusesse a trabalhar em banco que é altamente informatizado em nossas instituições modernas. No entanto, esse mesmo fenômeno de estranheza ao ambiente de trabalho não seria tão intenso se um professor do século XIX fosse posto em uma sala de aula moderna. E por quê? o modelo de escola do qual estamos acostumados hoje, pouco ou quase nada mudou em relação a metodologias e espaço escolar no decorrer do tempo. É quase certo que esse professor do passado estranharia alguns aspectos pontuais de nossos estudantes, todavia, ele não teria tanta dificuldade de trabalhar no cenário atual.

Enquanto a Terceira Revolução Industrial, com o advento da informática e da internet, com surgimento de novas mídias e de novas maneiras de se comunicar, atingiram a vários campos da vida moderna em geral, o espaço escolar ainda continua ministrando aulas da mesma forma que os gregos da Antiguidade Clássica da época do Sócrates ensinavam e aprendiam. É notório que se implementaram mudanças, certas inovações no campo pedagógico, do material didático e até estrutural das escolas, no entanto pouco coisa mudou na metodologia, maneira de se possibilitar novas formas de aprendizagem e de espaço. As mudanças muitas vezes em nome da informática, de novas metodologias de ensino não atingiram o desafio principal: a possibilidade do estudante decidir sobre o quê, quando e onde aprender. Neste aspecto o uso das ferramentas das novas mídias poderiam contribuir para dinamizar, tornar mais atraente e menos enfadonho a sala de aula.

Uma das possibilidades é uso das TiC’s (tecnologias da informação e comunicação) que possibilita criar uma nova maneira, um novo olhar sobre o que sabemos a respeito da relação de aprendizagem e ensino. A aplicação das TiC’s não se confunde com o uso do computador na escola, ou uma aula com o uso de projetores digitais (data-show), mas na forma de uma nova modalidade, de uma nova opção de participação do espaço escolar. Essa participação seria desde a interação com as novas mídias no espaço tradicional da escola com uso de celular, tablet, redes sociais, até a possibilidade do ensino em EAD ( Ensino a Distância) como uma opção não só para estudantes que moram distantes dos centros de ensino, mas tbm como uma modalidade mais flexível para aquele estudante que sinta mais à vontade para escolher o que quer e quando estudar. No ensino superior cursos de graduações e pós-graduações, já é uma opção o EAD.

Em alguns países tanto na Europa, América do Norte e Ásia, os seus sistemas de ensino incluem a modalidade em EAD não só no ensino superior, mas também, nos outros níveis do ensino, de modo que os estudantes podem optar pelo ensino em EAD 100% online ou parcialmente, dependerá do tipo de curso, da necessidade dos estudantes e do regime do ensino. No Brasil o ensino a distância, apesar do seu crescimento nas universidades, ainda é um “tabu” . Para as esferas públicas de governo e para uma parcela significativa da população, o ensino a distância ainda é tido como um ensino de qualidade duvidosa. Em sociedades como a estadunidense, canadense, Japoneses, Finlandeses, as grandes e médias corporações inclusive, estimulam e dão preferência de contratação de pessoal com formação em EAD, visto que elas acreditam que o indivíduo que aprende remotamente, em tese, são mais responsáveis e autônomos, posto que conseguem aprender mais livremente e sem a coordenação direta de terceiros.

Outro aspecto interessante, é o fato de que na realidade vigente, onde é possível realizar reuniões, fazer graduações ou pós, fechar negócios, promover audiências de tribunais, realizar inclusive cirurgias complexas à distância , a escola, nesse sentido, quando não se encontra dentro desse universo de possibilidades do mundo das mídias, das TiC’s, das interações em redes, fica até certo ponto, anacrônica a seu tempo, descontextualizada e em desencontro, com a nova realidade. Hoje é inegável que a internet é a grande biblioteca de Alexandria do século XXI, que se aprende muito mais na rede que nos livros ou na sala de aula. Não significa porém, que a sala de aula deixará de existir ou que não haverá interações e contatos fora do ambiente virtual, mas apenas será usado dentro uma lógica mais ativa e não como hoje. Deve-se entender que o uso das TiC’s aumenta a possibilidade da escola se tornar um ambiente mais dinâmico e próximo do que já se pratica em muitos outros setores da vida. É dar a possibilidade do estudante ser mais autônomo, de ser mais livre para suas escolha, de está mais próximo ao que o mundo ao seu redor já lhe oferece na prática.

O uso do celular em sala de aula só é um problema ainda por que não se compreendeu que as mídias podem ser mais um caminho, mas uma proposta de construção do saber. As tecnologias da informação vieram pra ficar e que se a escola não entender essas mudanças como positivas e se não se integrar a elas em um processo mais ativo, fatalmente ela continuará sempre vista, pelos mais interessados que são os estudantes, como um espaço chato, sem graça, repetitivo, enfadonho e que de certo modo, existe um pouco de verdade nisso. Cabe a sociedade, professores, governos e o setor privado entenderem que o principal fator motivador de aprender está ligado a dois conceitos: liberdade de aprender onde, quando e como quiser com orientação e o prazer em um aprender mais autônomo com acesso as novas formas e recursos de comunicação, leitura e visualização da vida moderna.

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