SOBRE O ESTADO

Segundo Marx, o Estado não passa de um mero partido político da burguesia. Um “balcão de negócios” onde são decididos os interesses dos grandes capitalistas. De fato, tem fundamento o que o filósofo alemão propõe. De modo que é uma mera ilusão crer que as transformações sociais necessárias para dirimir as desigualdades vão vir de leis fundamentadas nos parlamentos vigentes das economias de mercado. Por essa razão, o Estado liberal (que garante a liberdade apenas dos mais ricos) abomina a ideia de um Estado de Bem estar social, de um “welfare state”, portanto ele é tão combatido, muitas vezes é comparado, de modo radical, a uma espécie de “socialismo disfarçado”.

Dentro dessa perspectiva, o liberalismo vem como proposta para garantir os interesses do capital sem obrigação, ou pelo menos, sem o compromisso de investir no social. A verdade é que o capital hoje não tem nacionalidade, não tem compromisso com ideal de povo, de nação ou de qualquer forma de nacionalismo, salvo se condiz com os interesses da maximização do lucro.

As elites do grande Capital não defendem bandeiras e muito menos o Estado, a burguesia só tem compromisso com lucro. Com seus negócios. Com a especulação financeira que a forma mais perversa de acumulação do capital sem o interesse social de reduzir a exclusão, o que significa na prática, ganho de dinheiro sem produzir um único “parafuso”. Vive-se apenas de juros de fundos de investimentos, logo, sem preocupação alguma de geração de empregos.

Estamos em uma fase do capitalismo extremo, predatório, do rentismo sem escrúpulos que em muitos aspectos inclusive, quebra o sistema financeiro que o produz como um vírus que se alimenta, reproduz e mata seu hospedeiro, justamente por criar “bolhas de especulação”. E no fim de tudo isso, quem paga essa “farra” são os mais pobres, os estudantes, os operários com a perda de poder de compra e de empregos.

O (des)governo de Michel Temer é o maior exemplo disso. Seu governo não passa de um mero espaço de “negociatas” de milionários sedentos por dinheiro. Quando o presidente da câmara dos deputados, Rodrigo Maia diz: “Não temos a obrigação de fazer a vontade do povo.” “Aqui não é cartório que ‘carimbamos’ tudo que o povo pede” sintetiza exatamente o que Marx em sua reflexão diz sobre o Estado capitalista e suas nuances e nos demonstra claramente, que o mesmo estava e sempre esteve certo sobre esse tema, que é mais atual do que nunca.