Nós gostamos de esporte?

Acordei neste domingo, dia 10/1 um pouco desanimado. Claro que ser jornalista hoje em dia é quase viver perigosamente, mas não é por isso não. É ver que estamos há poucos meses do maior evento esportivo do mundo e… É isso… nada vem de bom…

Não que eu tivesse alguma esperança que os milhões “investidos” em Copa do Mundo e Olimpíada no nosso país seriam usados no tal “legado”. Conhecendo a fome dos dirigentes e políticos da nossa nação, era de se esperar a pilhagem que estamos vendo. Mas o que mais decepciona é como o brasileiro não está nem aí com o nosso esporte. E digo mais, até com o futebol.

Todas as modalidades em que nós tivemos sucesso apareceram forte em nossas vidas a partir de um título. Já reparou? Mesmo o futebol. A partir do bicampeonato de 58 e 62 que houve o “Big Bang” da modalidade com a força que tem hoje. Claro, também em parte porque hoje mais que esporte, é negócio. E onde rola muito dinheiro, tem muito interesse também. Mas e o torcedor?

O torcedor de futebol brasileiro tem uma peculiaridade. Ele só está preocupado com o ganhar x perder. Ele não se preocupa com o jogo. Em entender o jogo. Não cobra a nós, jornalistas, o conhecimento que lhe permitam entender melhor o que é o futebol (muito mais do que um cara ou uma mina chutando uma bola). A estrutura diretiva do esporte então… quantas vezes você viu faixas de torcedores protestando contra a bandalheira que é a CBF desde que foi fundada? Eu nunca vi.

Quantas vezes a gente viu a cede da CBF cercada por torcedores pedindo a renuncia de Marco Polo Del Nero? Ou pedindo que o seu clube seja melhor administrado? Nunca. Por que? Porque não interessa ao torcedor. Talvez por estarmos num país em que não há o básico, se mobilizar pelo futebol é brincadeira! Mas e quando as redes sociais ficam inundadas de posts para salvar cachorrinhos, mensagens de otimismo vazias, vídeos idiotas…Ou seja, é uma questão de interesse.

Com as outras modalidades então nem se fala. Basquete, vôlei, automobilismo, atletismo, natação e tênis foram algumas modalidades em que os títulos de heróis mobilizaram o interesse pelo esporte. O oportunismo de quem só gosta da vitória, e não da disputa. Essa é a marca do torcedor brasileiro, salvo exceções.

O esporte ganhou mais investimentos para 2016. Fato. Esgrima, basquete, judô, handebol, pólo aquático, para citar algumas modalidades, receberam uma grana extra para se preparar para a Olimpíada do Rio. Mas como ela foi usada? Ninguém cobra. O torcedor não procura, até porque não sabe o que é. E por que? A mídia não mostra, você vai dizer. É verdade. Mas… porque não há INTERESSE. Não existe cultura esportiva no Brasil porque o brasileiro não gosta de esporte. Gosta de vencer, ou de perder, para malhar o superado. Pare pra pensar.

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