Sobre gostar ou não de um esporte
Luis Augusto Simon, o Menon, é um cara autêntico. Goste ou não de sua posturas ou opinões, sua honestidade em expressar o que pensa em seu blog no UOL está sempre presente.
Tem causado polêmica e indignação seu post intitulado: “Eu não gosto de vôlei”. Talvez este seja um bom gancho para nós, que gostamos, entendamos por que o Menon e outros tem essa opinião “de quem vê um jogo ou outro na TV Globo”, como li no Twitter hj.
Eu já narrei muito esporte por ai e sei o quanto é difícil convencer quem não pratica squash, por exemplo, do quanto essa modalidade é bacana. Quem joga acha o máximo. Quem não joga, chato. Assim com os esportes de luta, a motor, hóquei na grama, ski alpino, handebol, biatlo etc.
O texto do Menon diz alguns motivos pelos quais ele não curte voleibol. Ele tem todo o direito de não gostar. Mas muita gente talvez não goste porque não foi devidamente apresentado a ele da forma correta. Vou confessar a vocês: até 2008, eu também odiava vôlei. Hoje sou eu quem narro a Superliga na TV aberta com o maior tesão. Sabe o que mudou a minha visão (bem míope, por sinal, e que se estendia a tudo que não fosse futebol)? O conhecimento.
1) As primeiras aulas de levantamento e ataque, dadas por minha esposa e meu cunhado. Eles me mostraram os tipos de levantamento (chutada, meia-bola, primeiro tempo etc) ressaltando as dificuldades técnicas e a beleza do movimento. As malandragens das fintas (tem drible no vôlei sim) e das inversões etc. Também o esforço e a quebra de munheca de uma batida na diagonal com o corpo jogado pro corredor, o impulso pra atacar a bola. A força combinada com o jeito e o estilo dos atacantes.
2) As dicas de duas lendas do nosso vôlei: alguns sabem aqui das dificuldades do meu início na Superliga na RedeTV. Recebi críticas por erros que cometi e por alguns que não eram de minha responsabilidade. Ai entraram em quadra Willian Carvalho (capitão da geração de prata) e Ana Moser. Eles me mostraram o lado tático do vôlei. Posicionamento de cobertura, as apostas de bloqueio, o jeito da batida de ataque e de defesa na bola e a projeção que atacante e bloqueador fazem na subida na rede (se bater chapado na mão de fora, ela vai pra fora, se bater pra baixo, pode voltar na minha quadra etc), o passe e as opções táticas de saque, a técnica dos líberos em transformar petardos em passes certeiros na mão do levantador.
Isso é arte! Mas precisa ser melhor apresentado às pessoas que não são do vôlei. Isso é nosso papel. O papel das transmissões esportivas. Cinegrafistas, narradores, repórteres, comentaristas e toda a equipe precisa destrinchar, mostrar, ressaltar e apresentar esses detalhes pra que as pessoas apreciem. Basta lembrar o que Luciano do Valle fez pelo voleibol ou o que, por exemplo, Everaldo Marques e Paulo Antunes fazem pelo futebol americano no Brasil. Eles traduzem a modalidade para o consumidor "comum"e os transformam em audiência para a ESPN.
Quem segue a Superliga sabe que a torcida do Sada Cruzeiro não é pré-fabricada. Menos ainda a do Minas, do SESI, do Dentil Praia Clube, do Bauru (que lotou os ginásios na última temporada). Nem a da Seleção. Eles recebem sim camisa do Banco do Brasil no ginásio, mas e daí? Que diferença isso faz.
No entanto, não será mostrando um jogo da Seleção aqui ou acolá que isso irá mudar. É preciso mais. Mais jogos na TV, maior cobertura com gente qualificada e que conheça o real valor do esporte. A modalidade e a imprensa que se diz ESPORTIVA precisa deixar o preconceito e buscar CONHECIMENTO sobre esse e outros esportes muito bacanas, relegados a segundo plano só porque não dá "audiência".
Também uma embalagem melhor, para o produto, como faz o basquete aqui e lá fora. Que o campeonato doméstico tenha seus melhores atletas atuando, com equipes mais equilibradas, aproveitando um material humano excepcional (fabricado ou não) para o esporte que MAIS VENCE no Brasil há décadas. Isso é responsabilidade de clubes e CBV, claro.
Breve, as transmissões nas redes sociais podem mostrar o contrário e, se bem trabalhada, pode ser até melhor do que a menosprezada pela "grande mídia". Outro dia, narrei um jogo de handebol juvenil para uma audiência de 40 mil pessoas. Todas elas "mapeáveis" e exatamente "quantificáveis" (sic). Mas isso é papo para outro texto.
Eu gosto de vôlei, mas respeito opiniões contrarias.

